Estilos Parentais

Estilos Parentais

Nas últimas décadas o conceito de família tem vindo a adquirir um âmbito muito vasto: novas tendências, novas configurações familiares têm permitido novas concepções de família e da organização da vida dos seus membros. 
Se perguntar a várias pessoas o que significa família e qual o papel de cada um dentro dela é bastante provável que obtenha respostas diferentes. 
Tendo em conta estas realidades, mais ou menos rígidas, com mais entoação no afecto ou na disciplina, a família não deixa de ser um sistema e ao mesmo tempo um processo de interacção e de integração de todos os seus membros (mãe, pai, filhos).

 


A comunicação é o elo de ligação que constitui o convívio e a sustentação de todo o sistema familiar, baseando-se na igualdade ou na diferença. Os diferentes tipos de família são entidades dinâmicas com a sua própria identidade, compostas por membros unidos por laços não só de sanguinidade, como também de afectividade ou interesse, e que convivem por um determinado espaço de tempo durante o qual constroem uma história de vida que é única e irreplicável.
A criança convive, cresce e comunica com a família… A ela cabe, em primeiro lugar, a função educativa (um direito e um dever). A família é um elemento activo que desempenha funções e tem responsabilidades distintas das que competem às instituições. Os juízos e os actos que têm lugar no seio da família não devem criar diferenças significativas nem demarcar-se excessivamente em relação aos parâmetros da sociedade em que vivemos. Se assim fosse, gerar-se-ia uma duplicidade e controvérsia prejudiciais nos critérios educacionais básicos (a criança teria dificuldade em perceber afinal que comportamento era esperado dela). A influência exercida pelo núcleo familiar condiciona, facilita e pode mesmo alterar o desenvolvimento da criança. 
No seio da família verifica-se a primeira aprendizagem dos valores essenciais e travam-se relações afectivas indispensáveis no amadurecimento global do indivíduo. Os pais (biológicos ou não) são as pessoas mais importantes na vida de uma criança pequena e aqueles cuja aprovação significa mais do que qualquer outra coisa no mundo. “Lendo” as respostas emocionais dos pais ao seu comportamento, as crianças continuamente absorvem informação acerca de qual a conduta que os pais aprovam. À medida que a criança processa, armazena e utiliza essa informação, o seu forte desejo de agradar leva-a a fazer como ela sabe que os pais querem que ela faça, quer os pais estejam ou não ali para ver. Este crescimento na auto-regulação é paralelo ao desenvolvimento de emoções tais como empatia, vergonha e culpa. Exige flexibilidade e capacidade de adiar a gratificação (perceber que não pode ter tudo quando quer).
Contudo, quando as crianças pequenas querem muito fazer uma coisa, elas rapidamente se esquecem das regras sociais. São capazes de atravessar a rua a correr atrás de uma bola, ou comer uma guloseima proibida. Na maioria das crianças o completo desenvolvimento da auto-regulação demora pelo menos 3 anos. Algumas crianças internalizam as regras sociais mais rapidamente do que outras. 
O modo como os pais vivem o seu trabalho parental, conjuntamente com o temperamento da criança e a qualidade da relação entre a figura parental e a criança podem ajudar a predizer o quão difícil ou fácil será socializar a criança. Factores relevantes no sucesso da socialização podem incluir a segurança da vinculação, a aprendizagem por observação do comportamento dos pais e responsabilidade mútua entre a figura parental e a criança. 
Estudos revelam que o estilo parental seguido pelos pais influencia o modo como a criança responde às regras sociais e forma a sua personalidade. Ora vejamos 3 estilos parentais e consequentes desenvolvimentos da criança:


Pais Autoritários
l Valorizam o controlo e a obediência inquestionável
l Tentam fazer com que as crianças se conformem com um determinado padrão de conduta e punem-nas fortemente pela sua violação
l São mais desligados e menos calorosos do que os outros pais
Por sua vez, as crianças de pais autoritários tendem a ser crianças tímidas e pouco tenazes e a comportar-se influenciadas pelo prémio ou castigo. Têm geralmente uma baixa auto-estima, vindo a ser pouco alegres, infelizes, irritáveis e vulneráveis às tensões.


Pais Permissivos
l Valorizam a auto-expressão e a auto-regulação
l Consideram-se recursos e não modelos
l Fazem poucas exigências às crianças e permitem-lhes monitorizar as suas próprias actividades tanto quanto possível
l Quando têm de estabelecer regras, explicam as razões para tal
l Consultam as crianças acerca das decisões a tomar e raramente punem
l São calorosos, não controladores e não exigentes
Os filhos de pais com estilo permissivo demonstram maior probabilidade de ter problemas em controlar os seus impulsos, bem como dificuldade em assumir as suas responsabilidades. São geralmente mais imaturos que as outras crianças, com baixa auto-estima, ainda que crianças alegres e vitais.

Pais Democráticos
l Respeitam a individualidade da criança mas também enfatizam os valores sociais. Têm confiança na sua própria capacidade para orientar as crianças, mas também respeitam as decisões, interesses, opiniões e personalidade destas. 
l São afectuosos, consistentes, exigentes, firmes na afirmação dos padrões e dispostos a aplicar uma punição limitada e sensata – mesmo o bater moderado e ocasional – quando necessário, dentro do contexto de uma relação calorosa e apoiante. 
l Explicam qual é o raciocínio que está subjacente aos seus padrões e encorajam as trocas de opiniões verbais.
As crianças de pais democráticos costumam ter níveis altos de auto-controlo e auto-estima. Tendem a ser mais capazes de enfrentar situações novas com confiança e iniciativa, mantendo uma atitude persistente no que iniciam. São independentes, carinhosas e de fácil relacionamento com outras. 

E você? Com que estilo parental se identifica?
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Um psicólogo pode ajudar.

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