Carlos Bernardes. Nas próximas Autárquicas, vai querer manter a liderança do Partido Socialista em Torres Vedras

Carlos Bernardes. Nas próximas Autárquicas, vai querer manter a liderança do Partido Socialista em Torres Vedras

Carlos Manuel Antunes Bernardes, tem 49 anos, nasceu em São Sebastião da Pedreira, Lisboa, e reside no Turcifal, concelho de Torres Vedras, desde os 8 anos de idade.
É o atual presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, cargo que assumiu quando Carlos Miguel foi convidado por António Costa para a função de Secretário de Estado das Autarquias Locais no atual Governo, há cerca de ano e meio, visto que era o vice-presidente do município nessa altura.
Nas próximas Eleições Autárquicas de 01 de Outubro foi o escolhido pelo Partido Socialista para encabeçar a lista que vai procurar vencer e manter a presidência da Câmara nas mãos do PS.
Estivemos a escutar as opiniões de Carlos Bernardes, que questionámos sobre diversos assuntos, mas muito em especial sobre o município torriense no passado, no presente e no futuro.
Carlos Bernardes, um orador nato, encarou as questões de forma frontal e a todas elas respondeu sem hesitação.



Revista Festa – Nasceu em Lisboa. Os seus pais residiam mesmo em Lisboa?
Carlos Bernardes – Os meus pais viviam lá perto, em Caneças, e foi por essa razão que nasci em Lisboa.
Quando tinha oito anos regressaram para o concelho de Torres Vedras, e desde essa altura que resido no Turcifal, embora a minha família seja da freguesia da Silveira.

Festa – Cresceu e estudou já aqui, no concelho?
C. B. - Sim, desde essa idade que estudei aqui, primeiro na escola do Turcifal, depois na Padre Francisco Soares e na Henriques Nogueira, na cidade.

Festa – A partir daí, começa a trabalhar ou continua a estudar?
C. B. - Comecei a trabalhar muito novo, ainda com 18 anos já trabalhava na Feira de São Pedro, como muitas centenas de outros jovens, e montava, na época, os pavilhões da Feira, que eram emprestados pela Câmara de Alenquer, e que ainda se realizava no espaço onde hoje é o Parque Verde da Várzea. Foi uma experiência muito interessante que repeti por três ou quatro anos.

Festa – Feira de São Pedro que teve uma evolução enorme?
C. B. - Sim, pelo menos desde essa altura que acompanho a evolução da Feira, um certame que faz este ano 724 anos, e desde o seu início que sempre evoluiu de uma forma constante.
A par disso, comecei a trabalhar também na empresa Intercentro, do grupo Eurolines, um grupo rodoviário que atua na área do transporte de passageiros, onde fui responsável pelas linhas Lisboa-Málaga durante seis anos.
Nesse meio tempo passei a trabalhar também na Câmara Municipal de Torres Vedras, onde faço parte dos quadros, e onde ainda há pouco tempo me foi entregue a distinção dos 25 anos de colaborador do município.



Festa – Mas, pelo meio aparece a política?
C. B. - Esse é um trabalho diferente, que penso ser igualmente muito importante e de que muito me orgulho. Comecei em 1989 por ser eleito para a Junta de Freguesia do Turcifal, onde fiz dois mandatos como Secretário da Junta, tendo como presidente o Sr José Justino, uma pessoa que muito estimo, considero e que muito me ensinou.
Depois, foi um processo evolutivo, em que fui secretário e adjunto do Dr José Augusto Carvalho, primeiro, e do Dr Jacinto Leandro, depois.
Em 2005 fui convidado para fazer parte das listas à Câmara e durante dez anos fui vereador e vice-presidente, já com o Dr Carlos Miguel. Há sensivelmente ano e meio que assumi a presidência da Câmara Municipal, depois do Dr Carlos Miguel ter aceite o convite para integrar o Governo, e encontro-me, neste momento, disponível para me candidatar pelo Partido Socialista a um novo mandato que permita continuar o legado de 40 anos do PS a gerir os destinos do município, que já vem do tempo do Dr Alberto Avelino e que, penso, tão bons resultados vem dando, ao longo destes anos, na evolução e modernização do concelho.

Festa – Mas, pelo meio aparece a concorrer à Câmara de Sobral de Monte Agraço. Porquê?
C. B. - A minha esposa é do Sobral. Fui à época convidado pela Concelhia local, que me questionou se teria disponibilidade para liderar a lista do Partido Socialista à Câmara, que há dois mandatos não tinha vereador no executivo, fui eleito e foi uma conquista importante.
O presidente à altura era o António Bogalho, que me convidou a assumir o pelouro do Turismo e foi uma satisfação enorme trabalhar com essa comunidade, onde acho que fizemos um trabalho fantástico em prol da promoção do Sobral de Monte Agraço, e onde penso que o PS deixou a sua marca, de forma positiva. Isso para mim é o mais relevante e ainda hoje sou muito acarinhado nesse território pelo trabalho desenvolvido lá.

Festa – Foi convidado pelo presidente, eleito por outra força política, para assumir um pelouro no Sobral, sendo essa experiência muito positiva e produtiva, e sabe-se que foi. Mas, sendo assim, porque não convida o PS, em Torres Vedras, vereadores da oposição a assumir pelouros também?
C. B. -  O Partido Socialista também faz, e sempre fez isso, dependendo das contingências e da relação com as votações, aqui em Torres Vedras.
Ao longo destes 40 anos já por diversas vezes envolvemos vereadores de outras forças em pelouros e na participação na gestão do município.
Agora, por uma questão de estratégia, e tendo uma maioria absoluta, entendemos que deveriam ser os vereadores socialistas a assumir essa liderança, até para depois sermos responsabilizados como equipa e de preferência premiados pelo trabalho desenvolvido.
Ainda assim, procuramos sempre envolver a oposição de uma forma muito participativa. Recordo, por exemplo, dois temas que para nós são muito importantes, como ter um território mais atrativo e modelos de taxas e benefícios fiscais que sejam um referencial, em que envolvemos todos, por acharmos importante.
Mas isso é decidido consoante os momentos, o perfil e a disponibilidade das pessoas também. Mas, mesmo assim, pessoalmente defendo que quem tem uma maioria absoluta deverá governar, embora envolvendo em tudo o que é estratégico todos os que fazem parte do respetivo órgão, e deverá assumir as suas opções para no final as pessoas dizerem se estiveram bem e se devem continuar...

Festa – Como tem sido governar o município neste ano e meio em que assumiu a presidência?
C. B. - Torres Vedras é um território que tem as suas especificidades.
Estamos a falar do maior município do distrito de Lisboa, do ponto de vista de área, do ponto de vista da centralidade que representa Torres Vedras, com mais de oitenta mil habitantes e quatrocentos e sete quilómetros quadrados de área. Temos que ter tudo isso em consideração, mas com base na experiência que tenho vindo a adquirir ao longo destes anos da minha vida, tem sido extremamente enriquecedor poder, ao longo deste ano e meio, desenvolver um conjunto de ideias e de projetos, muitos deles de continuidade mas com algo de novo, em função de também estar uma nova pessoa à frente dos destinos do concelho, mas sempre com o objetivo de melhorar. Melhorar as ideias, o concelho e a vida das pessoas e empresas, tentando dar um contributo positivo para a nossa terra.
Este ano e meio, desse ponto de vista, tem sido uma experiência muito importante, muito interessante, no sentido de podermos continuar a ter Torres Vedras na primeira linha dos desafios de uma sociedade que se quer solidária e inovadora, tendo sempre no centro das preocupações as pessoas e a nossa identidade.

Festa – Há poucos anos escutavam-se algumas vozes que referiam que o município tinha um nível de endividamento que sufocava as suas próprias ações. É verdade. Qual a situação atual?
C. B. - Não é verdade. Torres Vedras nunca teve esse problema.
Tivemos sim no período de crise em que tivemos de ter alguma contenção.
Torres Vedras no que respeita à sua gestão pelos diversos executivos ao longo destes últimos quarenta anos, sempre tiveram uma postura e uma preocupação na resolução dos problemas das nossas comunidades mas equilibrada do ponto de vista económico financeiro. Sempre fizemos esse trabalho, com períodos mais difíceis pelo meio é verdade, que tivemos que encarar, como este período de crise em que nomeadamente receitas muito importantes que provinham do urbanismo caíram drasticamente e como é natural teve que se fazer também alguns reajustamentos.
Esta situação tem sido cíclica, ao longo destes quarenta anos, mas a questão que colocou ao nível do endividamento excessivo, em Torres Vedras nunca aconteceu. Ainda esta semana tivemos oportunidade de apresentar as nossas contas consolidadas com rácios que são uma referência, e esse é o nosso grande objetivo: Ter nas três entidades que gerimos, a Câmara Municipal, o SMAS e a Promotorres, contas equilibradas e uma política económico-financeira que possa contribuir para aquilo que são os nossos desígnios e também ir ao encontro daquilo que são os desejos das nossas populações.

Festa – Falou das empresas que a Câmara gere. Justifica-se que o SMAS tenha um lucro anual significativo e ao mesmo tempo esteja a cobrar um dos valores mais elevados do país na água que distribui?
C. B. - Isso neste momento não corresponde à verdade.
É uma realidade que durante um certo período Torres Vedras teve um dos preços mais elevados na sua água, devido a um contrato que foi feito à época com a EPAL. Mas ainda bem que esse contrato foi celebrado, pois conseguimos garantir água de elevada qualidade e um serviço disponível 24 horas por dia em todas as épocas do ano e em casa de todos os torrienses. Isso é um grande ativo pois, por via desse contrato de enorme visão para futuro, foi gradualmente possível vir a manter essa qualidade e disponibilidade e ao mesmo tempo baixar taxas, criar taxas diferenciadas e taxas sociais, para um maior equilíbrio. É com muito orgulho que vemos, hoje, o SMAS ser uma referência a nível nacional na gestão da água e do saneamento, não devendo um cêntimo à banca ou a qualquer outra entidade e prestando um serviço de um nível elevadíssimo. Ainda este ano que passou fomos reconhecidos pela Associação Bandeira Azul da Europa, no projeto ECO21, como o município que melhor gere a água em Portugal.

Festa – Temos outra empresa municipal, a Promotorres, que muitas vezes é acusada pela oposição de não exercer a função para que foi criada, a promoção do concelho, sendo hoje mais conhecida como a EMEL de Torres Vedras. Justifica-se a existência da Promotorres e justificam-se essas críticas?
C. B. - A existência da Promotorres justifica-se plenamente. Esta empresa teve na sua génese a organização de eventos como o Carnaval e a Feira de São Pedro e ao longo da sua existência veio a evoluir.
É preciso ver o contexto em que a empresa é “criticada” e, do meu ponto de vista, essas críticas não fazem qualquer tipo de sentido, porque a Promotorres tem hoje três unidades de negócio muito bem definidas: a promoção de eventos, a gestão da mobilidade e a gestão de equipamentos.
Na gestão de eventos, que tem a ver também com a promoção  do território, ainda recentemente uma consultora externa considerou Torres Vedras, a nível nacional, em nono lugar como o mais atrativo nessa vertente. Estar no “top ten” como destino de eventos a nível nacional é um motivo de orgulho e em muito a Promotorres tem contribuído para isso.
Depois há a outra dimensão, a mobilidade. Entendeu a Câmara, e do meu ponto de vista também bem, depois de desenvolver um plano estratégico e implementar um modelo de mobilidade na nossa cidade, entregar a esta empresa municipal a gestão do estacionamento e respetiva fiscalização. Aquilo que era a verdadeira anarquia no estacionamento que existiu até há uns anos, em que as pessoas precisavam de vir à cidade e não encontravam um conjunto de lugares de estacionamento ordenados e equipamentos que dessem resposta aquilo que é a centralidade da cidade, conseguiu ultrapassar-se e dar-se uma resposta naquilo que é o enquadramento do estacionamento à superfície, dos parques de estacionamento subterrâneos também entretanto criados, da relocalização do Terminal Rodoviário, ou da criação dos parques periféricos para quem vem trabalhar durante o dia e tem necessidade de mobilidade para outros pontos do território, ou fora do território.
Pergunta-me se o modelo de mobilidade é um modelo equilibrado. É um modelo que já foi reconhecido pela União Europeia como um referencial ao nível da gestão de mobilidade. Se é perfeito? Não há coisas perfeitas e naturalmente terá que estar em constante evolução, mas conseguimos implementá-lo e criar estacionamento para residentes, para quem trabalha ou precisa de deslocar-se à cidade, e com valores e um tarifário a que chamo “low cost” pelo baixo valor cobrado, mas que tem uma capacidade de resposta que antes não conseguíamos. Hoje a cidade está muito mais ordenada e amiga do cidadão a este nível, embora tenhamos a consciência de haverá sempre muito trabalho a desenvolver nesta área.

Festa – Quanto ao Carnaval e à Feira de São Pedro?
C. B. - O Carnaval é uma marca de referência na promoção de Torres Vedras e uma âncora turística para a própria região. Tem tido uma enorme evolução, temos uma plataforma que nos permite trabalhar o Carnaval durante o ano inteiro, e não é por acaso que ainda em pleno mês de junho já estamos a apresentar o tema para o próximo ano - Mares e Oceanos – de forma a permitir manter esta relação que existe com a nossa comunidade e com todos aqueles que queiram interagir com o nosso Carnaval.
Damos tanta importância a este evento que vai ser criado em breve o Centro de Artes e Criatividade, com um programa educativo e projetos criativos associados e cuja temática é exatamente o Carnaval. É um projeto que já foi apresentado e lançado concurso para execução do mesmo, que aguarda visto do Tribunal de Contas. Uma obra que deverá iniciar-se no segundo semestre deste ano e que deverá estar concluída no prazo de um ano, na zona do antigo Matadouro Municipal.

Festa – É um espaço que estará enquadrado na zona verde do novo Parque do Choupal, outro motivo de orgulho deste executivo?
C. B. - Sim. Nesse sentido temos vindo a fazer um trabalho que achamos muito importante, e necessário, quer com a regeneração do Centro Histórico, do Choupal e agora com a regeneração dos Bairros do Matadouro, da Floresta e toda aquela área envolvente.
Tudo isto está incluído no nosso Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, para o qual fizemos uma candidatura, que foi contemplada, e hoje está a fazer-se a sua implementação com recurso a fundos comunitários.
Esta é uma visão que temos vindo a desenvolver nos últimos anos, regenerando os tecidos urbanos nos territórios que entendemos carecer dessa mesma reabilitação, onde se insere este espaço, o Choupal, que apesar de muitas críticas quando se lançou o projeto também ficou um espaço magnífico e muito agradável para os adultos, as crianças e para as famílias.

Festa – Estes espaços inserem-se numa espécie de corredor verde que a Câmara está a implementar que engloba a Zona Verde da Várzea, Castelo, Choupal e Matadouro?
C. B. - Sim, toda essa relação é fundamental.
Podemos por essa via fazer uma inter-ligação entre esses mesmos espaços, que seja fruido pelos cidadãos e que seja um espaço de referência, com o Sizandro como espelho de água pelo meio, e uma futura ligação à própria zona dos Cucos. Procura-se que sejam espaços públicos de bem estar e de lazer, e que acima de tudo possam dotar a cidade de novos estilos de vida que, por essa via, sejam mais saudáveis e atrativos, dando mais qualidade de vida aos cidadãos e aos torrienses.



Festa – A grande diferença de Carlos Bernardes para outros presidentes anteriores é sobretudo a “causa verde”, o ambiente. Concorda?
C. B. - Eu costumo dizer que um homem sozinho vale o que vale.
Tudo isto é fruto de um trabalho de equipa e na última década, efetivamente, em função dos pelouros que tive oportunidade de gerir, nas áreas do ambiente e da sustentabilidade, sempre se procurou encontrar, em equipa, as melhores soluções para o nosso território.
Em função disso, eu próprio tive oportunidade de evoluir, dar os meus contributos, e por essa via hoje, não sou eu que o digo, os dados estão aí. Torres Vedras foi considerado pela Comissão Europeia o melhor território a gerir as políticas da sustentabilidade - desde a água, aos espaços verdes, a vertente económica e social ou a mobilidade - o que é um motivo de orgulho, mas que vem passando também pelos meus colegas de vereação, pelos presidentes anteriores, assembleia municipal, juntas de freguesia, e outras pessoas, que se empenharam num plano estratégico que nos permite ser reconhecidos internacionalmente e ser, inclusive, um território “QualityCoast” da União Europeia.
Acho que é um trabalho que tem que continuar a ser desenvolvido para construímos um território de excelência.

Festa – Temos estado a falar muito na cidade, mas temos um concelho em que habitam três quartas partes das pessoas.
O que tem sido feito por essas pessoas?
C. B. - As pessoas que moram fora da cidade, no nosso concelho, têm uma qualidade de vida que eu diria que é ímpar desse ponto de vista.
Cada família que vive fora da cidade vive num contexto diferente, na sua grande maioria são famílias que residem numa moradia unifamiliar, essa é a matriz, e logo aí permite-lhes uma qualidade de vida acrescida, quase sempre com a possibilidade de ter um pequeno jardim, uma pequena horta, etc, esses são estilos de vida que são sinónimos de podermos, por essa via, entender como facilitadores de uma qualidade de vida melhor em relação às que habitam na cidade, na medida em que, ao dia de hoje, na minha optica, havendo abastecimento de água a todos os cidadãos, o tratamento do saneamento generalizado – estamos com saneamento em mais de 95% do território – têm logo aí uma enorme valia, mas também na vertente da educação, já conseguimos assegurar condições de elevada qualidade em grande parte dessas áreas do concelho, com a construção dos novos Centros Educativos, dando a quem aí mora oportunidade e igualdade para todos. No restante território, se voltarmos a vencer e a merecer o apoio dos eleitores, como penso que sucederá, estão já projetados novos Centros Educativos que possam cobrir todo o território do concelho. Essa é uma das principais prioridades, colocar todo o território em igualdade de condições nos equipamentos educativos. Essa vai ser uma das grandes apostas no próximo mandato, quer na construção desses Centros nas nossas freguesias, quer mesmo na própria cidade, isto ao nível dos Jardins de Infância e do Primeiro Ciclo, que são competência da Câmara Municipal.
São Pedro da Cadeira, A-dos-Cunhados e Póvoa de Penafirme, Silveira, Turcifal, Freiria, Ramalhal e Maxial são aqueles que consideramos mais prioritários.

Festa – Caso Carlos Bernardes, e o Partido Socialista, vença as próximas eleições como espera, tem outros grandes desafios?
C. B. - Torres Vedras tem essa particularidade, que devido à sua diversidade e área territorial existem sempre desafios constantes e prementes, o ponto de equilíbrio é o mais difícil de se conseguir. Mas procuramos fazer isso, por exemplo criar uma rede de atratibilidade no que respeita à vertente do turismo, que queremos que seja um referencial, que preserve a nossa identidade e que seja atractiva.
Neste momento estamos a trabalhar, de forma integrada, para que possamos ter um programa de regeneração daquele que é um referencial para todos os torrienses, o nosso Centro Histórico, em que estamos a trabalhar com uma visão para a próxima década, atraindo aí mais pessoas e mais visitantes.
Importante também a recuperação do património, quer na cidade quer fora da cidade, trabalhando um conjunto de equipamentos que pensamos serem muito importantes.
Ainda recentemente tivemos oportunidade de inaugurar o Centro de Interpretação da Rede de Judiarias, e acabámos de receber a visita da Sra Embaixadora de Israel, que ficou fascinada com aquilo que viu em Torres Vedras.
No fundo é muito isso, manter a identidade torriense e a preservação do património. A muito curto prazo iremos inaugurar o Centro de Interpretação das Linhas de Torres Vedras, um outro referencial que temos no nosso território, assim como o Centro de Interpretação da paisagem protegida das serras do Socorro e Archeira, que abrimos há relativamente pouco tempo num novo espaço e, é criar no fundo uma forma de procurar que quem nos visita, quem procura o nosso território, encontre um conjunto de equipamentos que seja um referencial e possam dar o seu contributo. É ainda nesse sentido que estamos a ultimar o projecto para a requalificação da Azenha do Ameal, o espaço da Macieira, no Maxial, ou aprovamos um protocolo para recuperação de um conjunto de igrejas do nosso território. O próprio Castro do Zambujal está neste momento numa fase de concurso para a sua requalificação, de forma a torná-lo mais visitável.
É dentro destes moldes que queremos trabalhar naquilo que é a nossa matriz enquanto torrienses, numa rede que permita dar a conhecer e chamar mais visitantes a Torres Vedras. Este foco no turismo irá ser, para mim, muito especial também.
A par da Saúde, outra área em que queremos ver resultados mais positivos quer ao nível do aumento do número médicos de família, quer na melhoria das condições do nosso Hospital.

Festa – Mas turismo engloba também a nossa vasta zona balnear. Para quando uma via rápida para Santa Cruz?
C. B. - Santa Cruz e todo aquele território evoluiu ao longo dos tempos e como é óbvio temos que ver isto como um modelo mais integrado.
Desse ponto de vista, qual tem sido o entendimento em relação a esta matéria: Por um lado, o que acabei de citar, que são as prioridades no investimento, sabendo nós que Portugal, neste momento, para essa área não tem possibilidade de recorrer a fundos comunitários, e por essa via teríamos que estabelecer outros compromissos.
O grande desafio que se tem colocado vai no sentido de descobrir as novas oportunidades, e nesse sentido Torres Vedras orgulha-se de estar ao dia de hoje em primeiro lugar no que diz respeito ao aproveitamento do Programa 2020, de entre os 100 municípios que constituem a região Centro.
Para se equacionar essa via rápida, que terá um custo na ordem dos dez a doze milhões de euros, só recorrendo à Banca ou utilizando fundos próprios. Santa Cruz hoje tem um conjunto de alternativas. Estradas que do ponto de vista da sua infra-estrutura garantem a segurança dos cidadãos e de quem nelas circula.
O que está previsto para Santa Cruz, no Plano Rodoviário Nacional, é a construção de um IC (o IC 11) que fará a ligação Peniche/Lourinhã/A8/A10 (Carregado). Nesse IC está prevista a saída de um dos ramais para o nosso litoral e é isso que eu penso que, caso o Plano Rodoviário Nacional seja cumprido, vá acontecer nos próximos dez anos.
Por outro lado, também é verdade que as freguesias da Silveira e de A-dos-Cunhados têm um tecido empresarial e agrícola com um enorme peso na economia regional e nacional, e aí já obriga a pensar num tipo de infra-estrutura que permita escoar com maior facilidade os produtos dessa região, mas acho que vai sempre passar pelo IC de que falamos e pelo tal ramal de ligação ao nosso litoral, isso caberá ao Estado.
Neste momento não vejo como poderá o município ter resposta financeira para construir uma obra dessas, expropriações incluídas.
Estamos empenhados é em melhorar algumas situações, como é o caso da variante a A-dos-Cunhados, que não tem andado com a celeridade que gostaríamos, mas que vai melhorar substancialmente a vivência na vila. Mas são situações que temos que construir com capitais próprios e recorrendo à banca, e onde as expropriações por vezes não permitem a celeridade desejada. Neste caso já temos garantido o empréstimo, próximo dos setecentos mil euros, já temos o visto do Tribunal de Contas e queremos lançar o concurso a curto prazo.
Mas este é um caso, que dou como exemplo, temos mais alguns outros em estudo neste momento.

Festa – Mas existe outras áreas em que se vai empenhar?
C. B. - Há uma outra área que considero também muito importante em termos de futuro: atrair a sociedade do conhecimento para Torres Vedras.
Torres Vedras está às portas de Lisboa, nesse sentido, aquilo que para nós é importante é podermos ter connosco um conjunto de parceiros que nos levem a trazer conhecimento para Torres Vedras, no sentido em que esse mesmo conhecimento possa ser disseminado junto das nossas empresas e das nossas comunidades.
O primeiro passo foi dado muito recentemente com a criação de um LabCenter, um espaço de ciência, criatividade e tecnologia, onde ao dia de hoje já contamos com duas entidades de referência a trabalhar connosco, o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) e o ISCTE.
Com cerca de um mês de vida, o LabCenter já conseguiu acolher naquele espaço mais de duas mil pessoas. Isso é muito importante. É formação, é conhecimento, é ciência, é isso que se está a produzir no LabCenter. É um laboratório vivo onde as ideias nascem, onde vamos ter oportunidade de alocar em função de um concurso de empreendedorismo que lançamos através do Torres Inov-e, novas empresas, jovens empreendedores, e fazer uma ligação entre as vertentes de educação, tecnologia, investigação e as nossas empresas, permitindo a estas ficar mais capacitadas para enfrentar o mercado global.

Festa – Mas existe algum projeto relativamente a essas mesmas empresas?
C. B. -Nem se trata de um projeto, é mais a criação de condições para que Torres Vedras seja atrativo para as mais de dez mil empresas que cá estão sedeadas, mas também criar condições atrativas para quem aqui se queiram implantar e investir.
Para além disso, aprovámos também uma série de benefícios fiscais, nomeadamente ao nível do IMI e do IMT, que procuram tornar o território de Torres Vedras cada vez mais atrativo para as empresas se implantarem. Acreditamos que só assim conseguimos criar mais riqueza e mais emprego na região, e isso para nós é muito importante.

Festa – A oportunidade de emprego no concelho é importante para si?
C. B. - A oportunidade e a igualdade de oportunidades é importantíssima, não só no emprego, como na cultura e noutras áreas. Queremos que Torres Vedras possa tornar-se uma referência também aí, com solidariedade e igualdade nas oportunidades para todos, sempre com um objetivo: que todos possam ter qualidade de vida e dignidade, o que para nós é fundamental.

Festa – Quais a  principais carências que o concelho ainda tem?
C. B. - São sobretudo as que referi, mas há sempre outras que vão surgindo e para as quais mostramos estar atentos e dar respostas adequadas. Por exemplo, se me referir que deveríamos investir mais na rede viária, subscrevo completamente. Mas, por exemplo, desse ponto de vista temos vindo a fazer um trabalho gradual, alocando ao Orçamento, anualmente, cerca de um milhão de euros para beneficiação da rede viária municipal. Como é um trabalho regular que vimos desenvolvendo anualmente, é daquelas coisas que não posso apontar como grandes objetivos. Investimos o que podemos regularmente e de forma estruturada para que os nossos 1200kms de estradas, arruamentos e caminhos mantenham níveis muito aceitáveis de conservação.

Festa – Esta é a sua visão do concelho?
C. B. - Muita coisa mais poderia ser referida, mas sim, estes são os pontos principais do  trabalho presente e futuro. É um resumo das coisas que considero mais importantes, neste momento, assente numa visão integrada de projetos para as pessoas, com uma matriz identitária, uma vertente patrimonial, uma vertente do território para todos, inclusivo, com políticas cosmopolitas e multiculturais, cada vez mais atrativo e amigo do cidadão, onde o ambiente e a inovação também sejam um referencial, num modelo de governança participado e socialmente justo.

Festa – O que seria para Carlos Bernardes, e para o PS, um bom resultado nas próximas Autárquicas?
C. B. - Uma nova maioria absoluta, para continuar o trabalho que temos vindo a desenvolver. Penso que é importante para continuar a haver estabilidade governativa na nossa casa, Torres Vedras.

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