Corvette, há 64 anos...

Corvette, há 64 anos...

Ao longo de mais de cem anos, a indústria automóvel norte-americana alternou as suas invenções e concepções, primeiro com os construtores europeus e, mais tarde, com os japoneses. Recentemente os consumidores americanos são também seduzidos pelas marcas sul-coreanas que se aprimoraram quer qualitativamente quer tecnologicamente. O princípio da história do automóvel divide-se em alguns números de eras, muito por força da evolução dos meios de propulsão. Só a partir da recuperação global após a II Grande Guerra é que as tendências de estilo exterior, equipamentos, tamanho e preferências dos consumidores marcam épocas.


Actualmente, o fenómeno prende-se com a globalização do sector no fabrico de componentes, mas também dentro das próprias marcas que utilizam as mesmas plataformas, motores e componentes para diversos modelos.
O automóvel dos Estados Unidos encerra etapas evolutivas distintas das marcas europeias. Os anos 90’ foram críticos: À preocupação com a causa da segurança e com regulamentações mais apertadas, os americanos não conseguiram juntar quase nenhuma lógica no estilo dos modelos mais comuns, nem perceberam as novas tendências do resto do Mundo.
As cidades americanas foram literalmente invadidas por veículos japoneses e europeus, mais racionais quer no desempenho quer no conceito, principalmente nos destinados às famílias mais jovens ou a uma classe média mais exigente. Destacaram-se os familiares utilitários, os monovolumes e o SUV já no virar do século. A indústria americana regenera-se nos últimos dez anos: constroem-se gamas mais alargadas, para os vários públicos-alvo e todas as marcas entram declaradamente nas propulsões a energias alternativas, como o veículo eléctrico e ou hibrido que todas as marcas já disponibilizam e em mais de um modelo.
No entanto - porventura em contraciclo -, foram resistindo os modelos super-desportivos mais emblemáticos como os Chevrolet Camaro e Corvette, o Dodge e Pontiac Challenger, e o Mustang, da Ford…

O roadstar Corvette é um dos melhores exemplos: perdura há 64 anos e ainda é dos supercarros mais apreciados em todo o Mundo. Para 2017, a Chevrolet disponibiliza três versões que podem ser adquiridas entre os 55.500 e os 105.000 dólares, todas com o motor V8 de 6,2 litros e com a possibilidade em serem adquiridas na opção coupé ou convertível.
O Stingray e o Grand Sport são versões mais convencionais que diferem fundamentalmente no nível de equipamento, ainda que ao nível da construção ambos utilizem o melhor que se espera da indústria quer nos materiais utilizados quer nos atributos de segurança activa e passiva. A marca anuncia 460 cavalos para um torque máximo de 460 lb com a capacidade de atingir as 60 milhas/h (96,56 Km/h), em apenas 3,6 segundos; caixa manual de 7 velocidades (com tecnologia Active Rev Matching) ou automática sequencial de 8 marchas, chassis em alumínio hydroforming, discos de travões carbo-cerâmicos, suspensões desenvolvidas pela Bilstein ou Koni; acabamentos de luxo e primorosamente elaborados como bancos e forra interiores em pele, sistema electrónico para controlo de diversas funcionalidades dos órgãos mecânicos, telemetria e a indicação das forças G, gravador de dados de desempenho em tempo real, bem como sistemas de som para contentamento dos mais exigentes audiofilistas.
No topo da gama, encontramos o Z06 que serve de base à versão (GT) de competição: Apresenta o motor com válvulas de admissão em titânio e de variação continua, uma potência de 650 cavalos, um torque máximo de 650 lb, capaz de acelerar até às 60 milhas/h em escassos 2,9 segundos; um chassis em alumínio hydroforming com o cofre e o tejadilho em carbono e os painéis da plataforma em composto; sistema electrónico de 12 modos de condução adaptados á caixa sequencial de 8 marchas; duas opções de interiores exclusivos apesar de se tratar de uma versão cliente de um carro feito para correr. Todas as versões do Corvette possuem um display de 8 polegadas e compatível com as funcionalidades Apple CarPlay, Android Auto, Wi-Fi OnStar 4G LTE. O Z06 pesa 1598 quilos, tem quase 2 metros de largura (+ 80 mm que as outras duas versões), 4,52 metros de comprimento e 1,23 m. de altura. A General Motors dedica uma fábrica em regime de exclusividade para a produção do modelo em Bowling Green, no estado do Kentucky.

Reconfigurado em 1963 com a geração Sting Ray

O modelo Corvette é o mais antigo desportivo norte-americano e o primeiro super-carro construído integralmente por um construtor daquele país. O modelo é lançado em 1953 como resposta aos cons-trutores europeus mais ousados e para os condutores mais radicais, assente no princípio dos consumidores de uma nova era, com novas profissões, independentes que proliferavam nas novas centralidades que evoluíram depois da II Guerra Mundial.
Dez anos mais tarde, em 1963, é reconfigurado ao conceito que perdura até aos dias de hoje - em versão coupé e convertível - sob a designação de Corvette Sting Ray (Stingray), da autoria de Bill Mitchell, então director da General Motors. O designer inspirou-se na agressividade do tubarão e tentou transpô-la para o Corvette, chamando-lhe inclusivamente Marko Shark.
Mas o momento marcou a introdução de novos materiais e tecnologias como a utilização de painéis em fibra de vidro material, então pouco admitido na indústria automóvel, e um motor de 8 cilindros de 5,3 litros, com 300 cv, para substituir o inicial V6.
Também entre 1963 e 1965, o Corvette foi aperfeiçoado: aligeirou-se o conjunto chassis-carroçaria (passou a pesar 1.435 quilos), introduziu-se a suspensão traseira independente, numa clara resposta ao Jaguar Type E de 1961; os travões de disco e recriou-se um motor V8 de 6,9 litros com potências que cresceram para 375 e 400 cavalos.
A Chevrolet conseguia construir um desportivo capaz de rodar a uma velocidade constante superior aos 230 km/h.

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