António Crispim, uma vida em redor da moda e dos cabelos!

António Crispim, uma vida em redor da moda e dos cabelos!

O conceituado Hair Sylist António Crispim, conversou connosco sobre as suas interessantíssimas e diversas múltiplas facetas.
Toni, como é conhecido pelos amigos, e em Torres Vedras onde tem um espaço cabeleireiro de referência na zona histórica da cidade, tem uma história de vida, um reconhecimento nacional e internacional, e uma humildade rara que o tornam num exelente parceiro de conversa.
Cabelos, moda, espetáculo, uma experiência de vida e muito mais foram o tema de conversa...



Revista Festa – Como foi o início do “Toni”, foi fácil?
António Crispim “Toni” - Na área do cabelo, foi muito rápido. Pensei em dedicar-me a uma sexta-feira e comecei logo na segunda seguinte...

Festa – Mas isso não foi muito rápido?
Toni – Rápido foi...
Andava a estudar à noite, na altura, e ainda não sabia muito bem o que queria.
Estudei na Alliance Française e estava a pensar ser professor de francês ou assim.
Entretanto arranjo trabalho num escritório, no Cacém, e confesso que foi o trabalho mais cansativo que tive até hoje. Não fazia quase nada mas saía super cansado de estar sentado numa cadeira todo o dia.
Entretanto, ao final do dia, estava a ler o jornal e vejo um anúncio de cursos de cabeleireiro, em horário diurno e noturno. Chamou-me a atenção e ligo para lá. Qual a minha surpresa quando a o darem-me a morada me dão a morada do meu prédio, só que morava no terceiro andar e a escola era no primeiro. Por estranho que pareça, sabia que existia lá algo mas nunca pensei que fosse uma Escola de Cabeleireiro.

Festa – O Toni decidiu-se logo, ou ficou a pensar no assunto?
Toni – Nesse fim-de-semana vim à terra, ao Maxial, como era habitual, e contei à minha mãe que “se calhar” ia tirar um curso de cabeleireiro.

Festa – Na altura não era muito normal. Como reagiu a mãe?
Toni – Não, mas nessa altura eu não sabia muito bem o que queria fazer, até pedi à minha mãe para não dizer nada ao meu pai, só que tive uma surpresa enorme, pois no domingo à noite quando estava a carregar o carro com as batatinhas e a carninha para levar para Lisboa, para a semana, o meu pai “puxou” por sessenta e quatro contos (o valor do curso), que era muito dinheiro, e diz-me: “toma lá, vai lá tirar o curso que nunca se sabe se não pode ser o teu futuro”...

Festa – E não é que foi mesmo?
Toni – Sim, e ainda bem. O meu pai nisso acertou em cheio.



Festa – O curso, foi “amor à primeira vista” ou ainda teve um período de adaptação?
Toni – Comecei a gostar logo no primeiro dia.
Era coisa que não me passava pela cabeça fazer, embora tivesse diversas amigas que me diziam que deveria tentar, que tinha algum jeito, mas sinceramente não me estava a ver fazer, muito menos como profissão.
Mas, gostei de tal maneira que me despedi de imediato do escritório. Tirava o curso à noite e estagiava num cabeleireiro durante o dia.

Festa – Foi preciso acreditar mesmo?
Toni – Sim, “mandei-me de cabeça”, apostei tudo, mas aí o meu pai apoiou-me bastante e foi a minha grande surpresa. Sobretudo esse momento do meu pai é inesquecível e foi marcante para mim.

Festa – O estágio, foi longo ou nem por isso?
Toni – Não, nem por isso. Ao fim de quatro meses de aprendizagem arranjei o meu primeiro emprego num cabeleireiro.
Estava à procura de um lugar como ajudante de cabeleireiro, mas disseram-me que estavam a precisar de um cabeleireiro mesmo e dão-me quinze dias à experiência. Acabou por resultar bem e fiquei.

Festa – Já nessa altura o Toni tinha mesmo jeito para a profissão?
Toni – Dá a sensação que sim, pelo menos sai-me bem.

Festa – Não foi muito rápido?
Toni – Foi, claro que sim. Ao início ainda estava um pouco “verde”. Para se ser verdadeiramente cabeleireiro penso que se der ter um período de adaptação de cerca de três anos, para se estar ligado ao cabelo, para se conhecer melhor as texturas do cabelo, as tendências... é um estudo demorado, para aquilo que eu chamo um cabeleireiro iniciante.
Mas, com muito esforço, ajuda e dedicação, lá fui ultrapassando etapas, e acabei por me sair razoavelmente bem.

Festa – O Toni diz que são necessários cerca de três anos para se ser um iniciante de cabeleireiro. Mas, hoje em dia vemos abrir cabeleireiros com pessoas com muito pouco tempo de aprendizagem. Como explica isso?
Toni – Pois... hoje em dia não é necessário uma carteira profissional para se trabalhar como cabeleireiro, o que é obrigatório são trinta e cinco horas de formação anuais.
Não acho bem, pois há que se estudar muito, mas quem sou eu para me pronunciar sobre isso. Agora que para se estar na linha da frente na área dos cabelos tem que estar consecutivamente a estudar...

Festa – É por isso que de vez em quando ouvimos dizer a algumas senhoras que lhes queimaram a cabeça, e coisas assim?
Toni - Sim, são coisas que acontecem. É preciso muito cuidado e conhecimento, o que não quer dizer que já não me tenham acontecido alguns casos menos bons, sobretudo naquela altura em que estava a iniciar-me.
É um risco próprio da aprendizagem.

Festa – É depois disso que o Toni resolve abrir o seu próprio espaço?
Toni – Sim. Depois decidi vir para Torres Vedras e abri o meu primeiro salão há cerca de vinte e cinco anos. Foi um espaço pequenino, em frente ao Mercado Municipal, onde uma vez mais contei com enorme ajuda do meu pai, e onde estive três anos.

Festa – Sentiste que era a altura certa?
Toni – Foi devagarinho. As coisas não surgiram logo de um momento para o outro, mas foi-se construindo um espaço, uma imagem profissional e ganhando a confiança das clientes.

Festa – E ao fim desses três anos?
Toni – Mudei para um espaço maior, na zona histórica da cidade, pois sempre tive uma enorme paixão por essa mesma zona histórica e aguardava a evolução dessa mesma zona, como acontecia em outras cidades.
Abri na Rua Mouzinho de Albuquerque, a que vai do Chafariz para o Castelo, primeiro um espaço menor e, há poucos anos, um espaço melhor e mais conseguido.

Festa – Este espaço atual é um espaço muito moderno e equipado com que há de melhor e mais atual na área?
Toni – Faço por isso, pelo menos tento. As minhas clientes merecem-no e sinto-me bem assim.



Festa – Mas, o Toni não é só um cabeleireiro. Neste momento para além dessa faceta, o António Crispim é Hair Stylist, dá formação a cabeleireiros e “dá a cara” por marcas e produtos de renome internacional?
Toni – Primeiro, estive a trabalhar dezasseis anos para uma empresa nacional. Esse foi o meu primeiro salto para outra área dos cabelos.
Essa empresa fecha e, como sabiam que estava livre, a marca italiana “Helen Seward” convida-me e há sete anos que sou estilista da marca. Passei a ir a Itália, a Milão, trabalhar com os meus colegas para depois fazer os lançamentos das linhas cá, em Portugal.

Festa – Afinal, o que é um Hair Stylist?
Toni – É um estilista de cabelos.
Os cabelos estão ligados à moda, por isso, da mesma forma que com as roupas, também nós temos as tendências consoante as estações. O Hair Stylist, ou estilista de cabelos, adequa os cabelos a essas tendências e à própria moda de texteis, complementos, etc. desde as cores, aos cortes e assim...
Para além disso, temos formação para transmitir tudo isso aos restantes cabeleireiros, que normalmente as seguem e adequam ao seu cliente.

Festa – É por isso que vemos o Toni envolvido em espetáculos de moda / cabelos?
Toni – Sim, é natural.
Faz mesmo parte do nosso trabalho.



Festa – Mas o Toni já se envolve em espetáculos mais arrojados?...
Toni – Sim, é verdade. É assim, neste mundo quem é que vence: Quem cria coisas diferentes e inovadoras. Como li uma vez, numa revista “se queres ser diferente, cria algo de diferente, algo nunca visto”.
Trabalho com a moda, mas pelo meio, ou no final dessas apresentações, tem que haver algo mais exuberante, que desperte a atenção. É aí que me especializei e apresento coisas inovadoras que fiquem na retina de quem lá está a assistir.
Por exemplo, faço um penteado com um metro de altura, comigo em cima de um escadote, com diversas ferramentas de bricolage, umas elétricas outras não, a tentar dar algum movimento e dinâmica à coisa.
Tive a sorte de em França, quando era mais novo, ter feito alguns trabalhos de modelo e como bailarino, o que me ajuda imenso nessa dinâmica que procuro empreender aos meus trabalhos de palco.
As pessoas têm gostado e tenho pelo menos dois a três grandes epetáculos por ano, para além daqueles mais pequenos que vou fazendo regularmente.
Não tem corrido mal e, por exemplo, já tive a felicidade de sair por quatro vezes numa revista que é distribuída em 45 países, com o meu trabalho.

Festa – Quer dizer que o António Crispim é conhecido internacionalmente?
Toni – Felizmente sim. Japão, China, Turquia, e tantos outros. Ainda um dia destes estava a navegar na internet e vejo uma imagem minha com um texto a acompanhar em Mandarim, numa apresentação de cabelos. Senti um enorme orgulho e satisfação. É bom ver as nossas coisas serem reconhecidas. Só não tenho os benefícios financeiros que achava ir ter quando isso acontecesse, mas é muito bom mesmo.

Festa – É por isso que o Toni trabalha?
Toni – Sim sim. Gosto muito daquilo que faço, gosto de ser criativo, aliás, como qualquer cabeleireiro deverá ser. Um cabeleireiro é criativo por natureza.

Festa – É isso que faz as noivas e as acompanhantes quase fazerem fila para poderem levar um penteado do Toni, naqueles dias mais especiais?
Toni – Sim, sim, é muito bom sentir que gostam daquilo que fazemos. Graças a Deus que tem corrido bem.
Parece estranho, mas quem vem de fora, as inglesas, as americanas, e assim, no pequeno espaço onde também estou atualmente, no Campo Real, valorizam imenso o meu trabalho. Tem sido também muito compensador. Sou mesmo feliz a fazer aquilo que faço e a ver a reação aos meus trabalhos.

Festa – Com toda a qualidade que o António Crispim tem. Com todo o mérito que é reconhecido. É caro tratar dos cabelos no espaço da António Crispim, quer na cidade quer no Campo Real?
Toni – Não, claro que não!

Festa – Que significa isso?
Toni – Claro que não. Gosto de toda a gente, gosto de pessoas de todas as classes sociais. Não consigo viver só com um patamar de pessoas.
Não posso trabalhar com preços muito altos em Torres Vedras, senão estava a ser limitativo para as pessoas.
Pratico preços ao nível de qualquer salão normal da cidade. O que me dá prazer mesmo é tratar, arranjar cabelos e ver as pessoas felizes.
Aqui em Torres Vedras sou mesmo o Toni amigo, o Toni cabeleireiro. É a forma como me sinto bem e realizado, pessoal e profissionalmente. Torres Vedras é, e sempre será, o meu “refúgio”. Então o Maxial, aí é mesmo para descansar e relaxar, é a minha terra, um local pardisíaco, de que gosto muito e que não a trocava por qualquer outra. Aí sou só eu e os animais.

Festa – O Toni tem animais?
Toni – Adoro animais. Tenho uma série deles no Maxial: cinco cães, duas gatas, duas cabras, um bode e um coelho, mas todos de estimação e todos eles têm nomes.
Vestido meio à medieval, com um pouco de meditação e junto dos animais, naquele verdadeiro paraíso, que é o Maxial, é outra das coisas que realmente é reconfortante e valem mesmo a pena.

Festa – E fora de Torres?
Toni – Aí a situação é diferente, embora continue a ser a pessoa simples que sempre fui. Mas, fora lido com centenas ou milhares de pessoas, e para elas vou levar conhecimento ou vou levar espetáculo.
Aí é um pouco diferente, mas não muito...

Festa – De todas as vertentes: cabeleireiro, estilista de cabelos e espetáculos, qual a que dá mais prazer?
Toni – Tudo o que faço é sempre com prazer.
O tempo que passo aqui, em Torres Vedras, no meu espaço, faço-o com prazer.
Quase para quebrar a rotina, quando estou a dar formação faço-o igualmente com um enorme prazer. É mais formal, mas adoro transmitir conhecimentos.
Na parte do espetáculo, é um António Crispim completamente diferente. Entro dentro de um palco e fico num mundo muito meu. Sinto o público, claro, mas estou completamente centrado em mim e no que estou a fazer. Por vezes dou por mim como se flutuasse em palco. É um prazer diferente mas enorme também.
Por isso, só faço mesmo o que gosto, e só isso já é uma felicidade enorme.

Festa – O futuro de António Crispim, por onde vai passar?
Toni – Estou cheio de energia, mas tenho consciência de que isso vai diminuir ao longo dos anos.
O futuro não deverá passar pelo espetáculo, onde é necessário despender imensa energia, por isso ou passará pela formação ou pelos espaços de Torres Vedras, Campo Real, ou assim... isto daqui por alguns anos, que espero longos ainda.
O Maxial, será sempre o meu último reduto.
Mas, como tem acontecido, sempre ao longo da minha vida, as coisas irão surgir naturalmente...

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