Marco Claudino. Candidato a presidente da Câmara de T. Vedras, nas próximas Autárquicas

Marco Claudino. Candidato a presidente da Câmara de T. Vedras, nas próximas Autárquicas

Marco Claudino, tem 34 anos, é licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, trabalhou na quarta maior consultora financeira do mundo, atualmente está num dos principais escritórios de advogados do país e é o líder da coligação PPD/PSD – CDS/PP que se vai apresentar às próximas eleições autárquicas de 01 de Outubro, no concelho de Torres Vedras, sob a sigla “Juntos Somos Mais Fortes”.
Conversámos com Marco Claudino e procurámos escutar as suas ideias, as suas opiniões e as suas propostas para o concelho.

Revista Festa – Marco Claudino, uma coligação porquê?
Marco Claudino – Temos um intuito, que passa por ter uma candidatura forte e abrangente, e esta coligação, mais que uma coligação com o CDS é uma coligação com Torres Vedras e com os torrienses.
É uma candidatura que tem muitos independentes, a maior parte dos candidatos são mesmo independentes, no sentido de dar resposta às necessidades e aos anseios dos torrienses, com uma alternativa que possa também ela ser forte e seriamente pensar em vencer as eleições do próximo dia 1 de outubro, que é aquilo em que convictamente acredito que vai acontecer.

Festa – Contou, ainda há pouco tempo, com a presença de Pedro Passos Coelho, o líder do PSD, e Telmo Correia, o Presidente da Mesa do CDS, na apresentação dos candidatos aos diversos órgãos autárquicos em Torres Vedras.
Ter uma sala cheia nessa apresentação, representou algo em especial para a vossa candidatura?
M. C. - É sempre bom sentir o apoio. Foi bom ver que o próprio Auditório do CAERO, que já de si é um espaço com alguma dimensão, ser um espaço pequeno para acolher tantas e tantas pessoas que com a sua presença quiseram vir dar o seu apoio e incentivo a esta candidatura. Ainda assim não foi nada inesperado, pois temos sentido no dia-a-dia um enorme aumento dos apoios que temos tido e  penso ter sido só o início de uma grande caminhada que, como lhe referi, irá seguramente resultar, no dia 01 de outubro, numa grande vitória para nós, mas mais importante que isso numa grande vitória para Torres Vedras e para os torrienses, que bem precisam de uma mudança efetiva nos destinos da Câmara Municipal.
Mas 01 de outubro é só, para nós, uma data “instrumental”, pois candidatamo-nos para vencer e a partir daí penso existir todas as condições para se iniciar algo maior, que é aquilo que queremos fazer e aquilo em que queremos transformar Torres Vedras. Achamos que temos todas as potencialidades para tornar Torres Vedras num município da “primeira Liga” dos municípios portugueses.



Festa – Quer dizer que Torres Vedras neste momento não o é?
M. C. - Tem tudo para o ser, tem uma sociedade civil que é, tem empreendedores torrienses que são, infelizmente os autarcas que lideram hoje a política torriense na Câmara Municipal não acompanham esse dinamismo, fazendo com que Torres Vedras, por exemplo, no último ano tenha sido noticiado pelas piores razões. Não quero isso para o meu concelho nem para a presidência da Câmara.
Por isso constituímos uma equipa muito forte, uma super-equipa como costumo dizer, que foi pensada individualmente para poder responder profissional e tecnicamente a todas as necessidades e desafios que se vão deparar a um executivo camarário ambicioso, e não nos limitámos a juntar pessoas dentro dos partidos.
Veja a situação atual, por exemplo. Não consigo conceber que uma Câmara consiga gerir um orçamento de 50 milhões de euros, ou seja um orçamento de mais de 200 milhões de euros no mandato, sem ter um vereador apto para a área financeira, que perceba de finanças e possa gerir da melhor maneira aquilo que são os dinheiros dos torrienses, porque o dinheiro que a Câmara recebe não é do executivo, é dinheiro das pessoas que esse executivo deve gerir da melhor maneira em prol dessas mesmas pessoas.
Com a saída do único vereador preparado para o fazer, há poucos meses, a opção do PS em não o substituir por um outro elemento capacitado nessa área causa, no mínimo, causa uma enorme estranheza. É inconcebível. Não se pode brincar com o dinheiro dos contribuintes, há que ter alguém absolutamente preparado para o fazer e neste momento a câmara não o tem. Veja que aí reside uma enorme diferença para nós, que fomos buscar o Dr Paulo Gomes, uma pessoa conhecidíssima e capacitadíssima para essa área, como fizemos com todas as outras, para poder apresentar esta tal super-equipa que pode descansar os torrienses, preparada para as dificuldades mas sempre a pensar no futuro.

Festa – Uma das suas promessas prende-se com a saúde e com a falta dos médicos de família. Como vai conseguir resolver essa situação?
M. C. - Veja, há uma discrepância enorme no país. Na nossa região temos, por exemplo, um número de pessoas sem médico de família igual à que existe em toda a região norte. Isto diz muito da falta de “peso” que tem a Câmara Municipal mais importante do Oeste, que é a Câmara de Torres Vedras, ao contrário de outras, no norte, que lutaram por isso.
Os bons modelos e boas práticas podem ser copiados. Basta ir a Mafra, que é aqui muito perto, e ver que existe um incentivo financeiro as médicos que não são do concelho para que se possam fixar em Mafra. Nós queremos fazer o mesmo em Torres Vedras.
Sim, a Câmara Municipal pode fazê-lo e promover a vinda de médicos para o concelho, e antes que me pergunte, respondo-lhe já que pode fazê-lo sem gastar mais dinheiro, pois basta fazê-lo com menos dinheiro do que aquele que é gasto atualmente com o Boletim Municipal, por exemplo, que pouco mais serve que para fazer propaganda política do atual presidente. Portanto, com o orçamento do Boletim, mais de cem mil euros, pagamos o suplemento aos médicos de família em falta para Torres Vedras.
O Boletim Municipal poderia passar a ser online e ter eventualmente uma pequena quantidade para distribuição em clubes e associações, poupando-se assim milhares e milhares de euros na sua produção e distribuição... já temos meios e formas de comunicação suficientes no concelho.

Festa – Estamos na altura da Feira de São Pedro. O que pensa deste tipo de eventos?
M. C. - São todos eles casos diferentes, porque Torres Vedras tem vários eventos tradicionais.
O Carnaval é o grande evento de Torres Vedras, que tem que ser preservado e cuidado.
O Festival das Vindimas ou o Feriado Municipal são outros muito importantes que devem ser apoiados e dinamizados.
A Feira de São Pedro, por outro lado, está num formato completamente ultrapassado. Quando se pergunta às pessoas o que pensam da Feira, o mais normal é dizerem: “bem, é o mesmo que no ano passado... é a feira dos carros e dos carrinhos de choque”. Neste momento, e ao longo dos anos, foi um certame que perdeu todas as empresas bandeira da nossa zona, que se vem tornado pouco interessante para expositores e visitantes. Não tem concertos, não tem uma identidade específica em especial. Não é um certame caraterístico e identificativo da nossa região e é isso que tem que voltar a ser feito: tornar a Feira de São Pedro num certame que seja o espelho daquilo que de bom se faz e produz em Torres Vedras.

Festa – Foi por essa e por outras que numa entrevista anterior M. Claudino disse que “vejo com preocupação o que se está a passar na Câmara Municipal de Torres Vedras”?
M. C. - Não foi só por isso. Nessa altura fui muito claro no que quis dizer e infelizmente para os destinos do município a situação só se veio a agravar.
Na altura, quando o atual presidente assumiu funções, a meio do mandato, quis de forma pouco razoável, penso eu, dizer: “Aqui mando eu”. Afastou o Dr Sérgio Galvão das funções que tinha no SMAS e alterou profundamente a administração da Promotorres por uma muito mais maleável e ajustável às suas diretrizes, entre outras...

Festa – Acha que a Promotorres tinha uma boa administração?
M. C. - Penso que a administração da Promotorres tinha algumas qualidades, mas tinha, para mim, uma enorme falha que se prendia com os objetivos desta empresa municipal.
A Promotorres na sua génese tinha como objetivo promover Torres Vedras e acabou por tornar-se conhecida mais como a EMEL torriense, porque a única coisa de que se fala desta empresa é da “caça à multa” que desenvolve.
Não sou contra que se multe quando existem comportamentos menos corretos, entenda-se, agora defendo que temos de ter, também aí, uma empresa com um comportamento muito mais pedagógico que repressivo.
Mas, para além disso, esta empresa tem mesmo é que promover Torres Vedras... e se nós temos tanto para promover!

Festa – O que se vai escutando nos bastidores é que a Promotorres serve muito mais para ultrapassar algumas limitações legais da câmara nos concursos públicos... acha que corresponde à realidade, que se justifica?
M. C. - A realidade das empresas do setor local é algo que tem alguma razão de ser. Ou seja, aquilo que é de alguma forma uma atividade de natureza privada, embora na esfera da gestão pública, necessita de alguma flexibilidade e de alguns mecanismos que permitam uma normal gestão empresarial. Admito que o município de Torres Vedras tem algumas atividades que justificam a existência dessa empresa municipal, como o Carnaval e a Feira de São Pedro, pelo menos.
Agora se é para evitar concursos ou ajustes diretos, eu diria que não tem evitado nada, porque se há algo porque esta Câmara Municipal tem sido conhecida é pelos ajustes diretos muito pouco claros e muito pouco transparentes, como é público. Isso faz-me pensar que o próprio slogan de campanha do PS para estas eleições é o mais adequado, pois “A Nossa Casa” é aquilo que os socialistas vem fazendo da Câmara, que tratam como se fosse mesmo a sua casa e não a casa de todos os torrienses, para os quais deveriam estar a gerir.

Festa – Como conseguiria Marco Claudino solucionar esse problema?
M. C. - Primeiro há uma coisa que os torrienses têm que perceber em relação a mim.
Sou uma pessoa perfeitamente independente e que nada, nem ninguém, me condiciona no exercício dos meus mandatos. Não devo nada a ninguém nem quero que ninguém me deva nada a mim. Aquilo que quero fazer aos torrienses é uma devolução, e uma boa gestão, daquilo que eles próprios entregam e confiam à sua autarquia através de impostos.
Torres Vedras hoje encontra-se hoje na cauda do ranking da transparência municipal e com tendência a piorar se nada for feito, pois, situações como lhe referi ou como a que se passa em A-dos-Cunhados, de forma pública, só podem piorar uma situação já de si muito preocupante.

Festa – Qual a situação a que se refere em A-dos-Cunhados?
M. C. - É muito simples e do conhecimento geral.
A Sra presidente de junta, que é uma pessoa por quem até tenho estima, desde os tempos em que foi candidata pelo PSD, tendo quatro anos depois decidido mudar a sua candidatura para o PS, vem tendo um comportamento muito estranho, e que se prende com ter assumido o cargo na Junta em regime de exclusividade, recebendo o ordenado que a isso corresponde, e em simultâneo com essa exclusividade vir recebendo um outro complemento de uma Associação de Melhoramentos da qual era presidente-adjunta por inerência, o que é absolutamente ilegal. Mais, essa associação recebe maioritariamente no seu orçamento subsídios da Câmara Municipal.
Depois de diversas vezes questionada em Assembleia de Freguesia, como figura em acta, sempre foi dizendo que tinha um parecer, mas que nunca aparecia, dizendo pelo meio que recebe dois ordenados porque foi o que havia combinado com a Câmara para poder ser candidata pelo PS. Não faz sentido.
Atualmente, a situação encontra-se entregue à Inspeção Geral de Finanças, que já intimou a Câmara, a Junta e a Associação a prestar esclarecimentos sobre a situação.
Já viu a situação: A própria Câmara pressiona um potencial candidato por outro partido oferecendo em troca de concorrer pelo PS a possibilidade, caso ganhe, de ter dois ordenados. Isto é tudo o que não quero na política da Câmara.



Festa – Afinal, que quer Marco Claudino e a sua equipa?
M. C. - Quero travar os vícios criados e que se vem agravando, e muito, nos últimos anos, pois uma governação de um só partido há tantos anos vem avolumando esse sentimento de que esta é “A Nossa Casa”, e aquela é a casa de todos o torrienses, em minha opinião.
Quero que ao fim dos quatro anos de mandato, caso vença as eleições em Outubro como espero, ninguém se sinta condicionado ou pressionado a concorrer ou deixar de concorrer pela minha ou por outras listas.
Quero trazer à Câmara uma lufada de ar fresco, para que Torres Vedras respire confiança e respire maturidade democrática.
Comigo, acredite que tudo aquilo que é a gestão dos dinheiros públicos, a forma como se aplicam os dinheiros de todos, os “ajustes diretos” e “concursos públicos”, por exemplo, estarão disponíveis no site, ou sites, da autarquia podendo ser consultados por qualquer munícipe que o pretenda. Temos que compreender que somos meros gestores do erário público e não somos os donos do dinheiro dos cidadãos.
Tem que haver critério e transparência e Torres Vedras não pode continuar na cauda da transparência entre os concelhos do país.

Festa – Não acha que isso é fácil de dizer quando se está em campanha mas mais difícil de aplicar depois de ganhar as eleições?
M. C. - A única resposta que lhe posso dar é de que, para além de ser político e gostar muito de política, tenho um percurso pessoal na área profissional de que me orgulho, assim como as pessoas que me acompanham também o têm.
Estamos empenhados e comprometidos em dar o melhor a Torres Vedras durante um determinado período se formos merecedores da confiança da maioria dos torrienses, em outubro. Temos propostas, temos ideias, temos objetivos, e desafio-o a si ou a qualquer torriense a apontar-me um caso, um único caso, em que me tenha comprometido e não tenha cumprido.
Se prometemos, acredite, vamos mesmo cumprir.

Festa – Já que falou em percurso, escutou-se na Assembleia Municipal uma acusação a Marco Claudino de que, enquanto membro da comissão governamental que tratou da reorganização administrativa do território, foi um dos responsáveis pela extinção de sete freguesias no concelho. É verdade?
M. C. - Essa é uma matéria muito simples, e ainda bem que coloca essa questão, para poder esclarecer e ultrapassar um situação que é levantada pelo PS de Torres Vedras que tenta sempre criar nublinas onde elas não existem e sacudir a água do seu capote.
Primeiro, agradeço o facto de me colocarem como principal responsável por uma reforma que foi importantíssima para o país, com grandes implicações também aqui, no concelho, e onde embora tenha participado não me cabem os maiores méritos.
É bom recordar que, primeiro, a reorganização autárquica resulta de um “memorando de entendimento” que dizia mais ou menos isto “o estado português compromete-se a reduzir em 25% as suas autarquias locais (câmaras e juntas)”. Havia um consenso nacional entre os vários partidos, onde se inclui o PSD e o PS, de que não era relevante dar-se essa redução a nível municipal, porque com a agregação a parte financeira também se unia e existiam as situações mais dispares em termos de municípios vizinhos, com uns a ter as contas muito equilibradas e outros nem tanto. Nas freguesias, pelo valor de autonomia financeira reduzida que as mesmas têm isso não era tão relevante e era também aí que existiam as maiores disparidades em termos de área territorial e número de habitantes.
Portanto, o que teve que ser feito foi imposto por um “memorando de entendimento” que resultou de uma muito desgraçada governação do Partido Socialista, em especial dos governos de José Sócrates, muito apoiado à época pelo PS de Torres Vedras, recorde-se.
Entretanto, a lei que sai, aponta para que Torres Vedras reduza sete das freguesias a menos que o município se pronuncie e tenha entendimento contrário, onde se poderia reduzir apenas cinco das vinte freguesias existentes na altura.
Pela nossa parte, PSD de Torres Vedras, assumimos o ónus e apresentámos uma proposta em que se reduzisse apenas o indispensável, ou seja, cinco freguesias. Onde não se incluiria a Maceira ou onde Matacães se uniria a Monte Redondo, por exemplo, mas o PS de Torres Vedras recusou e entendeu não se pronunciar, dando azo à redução estipulada por lei. Mas, sabe o que daí resultou? Resultou que candidatos do PS que já não se poderiam recandidatar nos novos moldes o pudessem fazer. Entende porventura a principal razão da não pronúncia do município sobre o assunto.

Festa – Mas o PS diz que não concorda com a reorganização?
M. C. - Bem, tem que perguntar ao PS com o que não concorda.
Mas, já agora, aproveite e pergunte-lhes também porque prometeram que se viessem a formar governo reverteriam a situação até às eleições de 2017 e, ano e meio depois de estar a governar, nada tenha sido feito nesse sentido. É uma boa questão para lhes colocar, não acha?
É um assunto que seria melhor o próprio PS evitar abordar, porque foram os principais responsáveis, ao votar contra, pela extinção de sete freguesias em Torres Vedras, e seguramente que não se vai dar a tal reversão antes das Autárquicas, como prometido.

Festa – Falando de promessas eleitorais. Marco Claudino antecipou-se e colocou mais de uma dezena de cartazes / outdoors, com essas mesmas promessas, um pouco por todo o concelho. Aliás, dois deles mesmo em Lisboa, na Calçada de Carriche, à saída da capital em direção a Torres.
Já agora, porquê os dois cartazes em Lisboa?
M. C. - Faz todo o sentido, e vou dizer-lhe porquê.
Caso a Promotorres fizesse o seu trabalho e promovesse o nosso concelho fora da região, poderia fazer menos sentido, mas já que tal não acontece é uma forma que aproveitámos para chamar a atenção para Torres Vedras e para as potencialidades do nosso concelho.
Mas, para além disso, é uma aposta em conseguir trazer mais investimento para Torres Vedras, sensibilizando para isso mesmo e para as oportunidades que o concelho oferece, internas e externas, pois não podemos esquecer que estamos a meia hora do aeroporto e do porto de Lisboa, com boas vias de acesso aos mesmos, e já reparou que temos mais de dois milhões de pessoas potenciais consumidoras das nossas atividades aqui em redor, entre outras.
Os grandes investimentos que foram feitos no concelho, nos últimos dez ou quinze anos, foram-no por empresários torrienses, que felizmente temos em bom número e de muita qualidade, mas captação de investimento de fora para o concelho... foi zero. De quem acha que é a culpa disso. Quem deveria promover o concelho, o investimento e criação de postos de trabalho, aqui. Quem abdicou de dar à nossa população mais condições de empregabilidade e mais condições de vida. Quem esteve à frente dos destinos da câmara, seguramente, e é por isso que estamos a tentar dar início a um novo ciclo mais próspero para as nossas empresas, para a nossa economia e para as nossas pessoas.

Festa – Mas, isso não terá sido também obra da própria crise que vivemos?
M. C. - A crise foi responsável em alguns setores por dificuldades acrescidas, é verdade, mas também é verdade que fez florescer outros e Torres Vedras não aproveitou.
Veja-se por exemplo o caso do turismo, com um crescimento exponencial nos últimos anos em todos os municípios em redor, e para falar pluripartidariamente pode olhar-se para Mafra, Peniche ou Nazaré, por exemplo. Todos eles tiveram um crescimento enorme no setor, uma enorme capacidade para atrair investimento e criação de empregos na área. E Torres Vedras? Quanto conseguiu captar dos treze mil milhões de euros que vieram para o país? Muito perto de zero, acredite. Muito pouco, como facilmente se percebe até para os menos atentos. Temos tantas coisas para fazer, tanta coisa para promover. Repare-se que, só a titulo de exemplo, somos o pólo central das Linhas de Torres Vedras e vamos ser dos últimos municípios a ter um Centro Interpretativo das mesmas. É inconcebível.
A Câmara não tem sabido promover aquilo que é Torres Vedras, aquilo que é Santa Cruz, aquilo que é nossa zona rural ou património, mas, para além disso, enquanto todos os municípios ao longo dos anos vieram a melhorar os seus acessos às suas zonas balneares, o nosso concelho parou no tempo, sendo mais demorado chegar a Santa Cruz, no verão, do que a Lisboa. Não faz sentido, isso não permite o desenvolvimento daquilo que temos e não exploramos convenientemente, sendo ultrapassados por todos os municípios em redor.

Festa – Acha que faz sentido uma via-rápida de Torres Vedras para Santa Cruz?
M. C. - Acho é que já é tarde. Todos os outros já têm essas suas vias de acesso.
Uma via desse tipo permite várias coisas, como retirar de dentro das povoações o perigo constante que representa a passagem de milhares de viaturas diariamente, permite potenciar as zonas balneares do concelho e os quilómetros de praias fantásticas que temos, mas permite ainda agilizar o escoamento dos produtos das nossas industrias, muito especial a agrícola e horto-frutícola, que representa um peso enorme na economia e emprego no concelho e aí tem uma expressão muito significativa.
Perdoe-me a expressão, mas acho que só pode ser “fazer pouco” dos torrienses, quando em grandes parangonas, e com um bom marketing reconheço, a Câmara se refere a Santa Cruz 365. Só se for 365 horas...

Festa – Mas, por outro lado, Marco Claudino tem uma frase muito semelhante num dos seus outdoors quando se refere a Santa Cruz?
M. C. - Sim, queremos “viver Santa Cruz todo o ano”. A grande diferença está nos compromissos. Enquanto o atual presidente se comprometeu e não cumpriu, acredite que nós prometemos e temos o hábito de cumprir.
E não é preciso só construir coisas. Repare no exemplo de Óbidos, que penso ser ilustrativo. O Telmo Faria não construiu o castelo e as muralhas, que sempre lá estiveram. Há é que aproveitar o que já existe e potenciar, como ele o fez com a Vila Natal, Festival do Chocolate, Folio, Ópera, Música Clássica, Música Moderna, Feira Medieval, sei lá... não foi possível fazer isso? E a Ericeira, que se assemelhará mais a Santa Cruz, não se conseguiu que tenha vida todo o ano, com um investimento estruturado?...

Festa – Há uns anos, havia uma corrente política que dizia que isso iria retirar todo o sossego à zona balnear?
M. C. - Não aceito esse tipo de argumentação. Cabe à Câmara Municipal, com todos os instrumentos que tem ao seu dispor, viários, urbanísticos ou outros, estruturar Santa Cruz e a zona balnear.
A praia tem muitos quilómetros de costa, felizmente, o que falta é vida, é as pessoas, mesmo em agosto... e a Santa Cruz que queremos vai ter que ter vida durante todo o ano. Não tenho receio do sucesso, tenho receio é do conformismo que se nota na Câmara Municipal, atualmente, em relação a Santa Cruz.

Festa – Acha que isso passa por criar uma freguesia para Santa Cruz, agregá-la a uma única das duas atuais, ou manter a situação atual?
M. C. - É uma discussão que deve existir, sem complexos, pois atualmente está dividida por Silveira, A-dos-Cunhados e Maceira. Até penso que deveria haver uma única freguesia da costa litoral, mas também essa necessidade nota-se sobretudo por duas razões: uma porque a Câmara Municipal não faz o que tem a fazer e outra porque os autarcas das freguesias atuais, como Santa Cruz é uma pequena parcela das suas freguesias, porventura não lhe dão tanta atenção como seria desejável, pois têm o resto das suas freguesias para os ocupar. Ainda assim, penso que se tivessemos melhores autarcas à frente dessas freguesias essa necessidade, que é genericamente partilhada pelos habitantes de Santa Cruz e por todos nós, não seria tão evidente, mas concordo, acho que é uma discussão que deve ser feita, com a zona balnear a ser freguesia ou a ficar numa das existentes, mas as pessoas que lá vivem todo o ano é que devem decidir isso.

Festa – Com a tal via-rápida ou com umas variantes às localidades pelo meio?
M. C. - Com uma via-rápida para que Torres Vedras no seu todo e Santa Cruz em particular possa ser elevada para o patamar turístico que merece.
Quanto à variantes, são soluções diferentes, que também estamos a elaborar e rapidamente apresentaremos, mas precisamos mesmo é de ser arrojados, verdadeiramente.
Mas, já que fala em variantes, permita-me que lhe fale de uma que é impensável ainda não estar feita, depois de anos e anos a ser prometida. A variante a A-dos-Cunhados. Hoje é um perigo público passar por A-dos-Cunhados nas circunstâncias atuais. E tanto tempo demorou que hoje já nem é só o problema de A-dos-Cunhados, é também o do Sobreiro Curvo. Não podemos ter um aglomerado populacional maior que muitos municípios do país, com uma atividade económica tão importante, onde tempo é dinheiro, e ter aquele perigo que são aquelas vias atualmente existentes pelo meio da vila. O maior problema mesmo é do planeamento, que parece não existir.

Festa – Mas, as estradas, diz a população que costuma ser um problema que se resolve na altura de eleições?
M. C. - Claro! O alcatrão é bissexto em Torres Vedras. Só aparece de quatro em quatro anos.
As pessoas passam todos os dias por essas estradas, mas parece que o desgaste que sofrem e as suas preocupações só são atendidas quando se aproximam eleições, pelo que as pessoas já dizem que devia haver eleições todos os anos, pois, pelo menos tínhamos as estradas arranjadas.
Mas esta falta de planeamento, ou este planeamento da autarquia a pensar apenas em eleições, custa muito dinheiro ao erário público.
Aquilo que vou fazer logo que seja presidente, como acredito que vá acontecer, é reunir todos os presidentes de Junta e fazer um levantamento das necessidades que as pessoas têm. Ao nível do alcatroamento, mas não só. Ao nível social, da educação, e nas outras grande áreas. Tem que ser feito um planeamento a quatro anos, em que todos saibam o que é necessário e quando vai ser feito.

Festa – Mas o PSD perdeu algumas juntas nas eleições anteriores?...
M. C. - Eu costumo dizer que o povo é soberano no voto que dá nas eleições, portanto penso que será uma pergunta que fará certamente ao Partido Socialista daqui a uns meses, ou seja porque acabaram de perder tantas Juntas nestas eleições, uma vez que na coligação “Juntos Somos Mais Fortes” temos exelentes candidatos com otimos projetos que, e sendo uma realidade que há uma maior maturidade democrática, vão certamente merecer o voto nas freguesias a que concorrem. Disso estou seguro. Até porque os presidentes de Junta, comigo, só vão responder perante os eleitores que neles votaram, sejam eles de que partido forem. Não vão responder perante mim nem perante qualquer outro vereador, para poder defender os interesses de quem neles votou. Comigo a liderar, se tiverem que “bater o pé” ao presidente, devem fazê-lo. Quem neles vai votar tem que saber que está a fazê-lo pelos seus projetos e para que eles defendam os seus interesses.

Festa – Mas não é assim que os autarcas se comportam normalmente, defendendo os seu fregueses ou munícipes?
M. C. - Acha? Veja por exemplo o caso da requalificação da Estrada Nacional 9, Torres Vedras – Merceana, para o que interessa no caso.
Quando o anterior governo colocou no plano que as obras estivessem previstas para 2019, foi uma enorme grande guerra a que a câmara do PS fez. Que era uma vergonha o estado da estrada, que tinha que ser tudo feito de imediato... Entrou um governo do PS, já viu alguma coisa feita. Já viu a Câmara socialista insurgir-se por não ter sido feito nada ainda? Claro que hoje a estrada não está a ser feita, o estado da mesma está cada vez pior, mas como há um governo do Partido Socialista nada se diz.
Não aceito que uma Câmara Municipal, seja de que cor for, diferencie a sua atuação em relação a um governo pela cor desse mesmo governo. Eu, se for presidente de Câmara, seja quem for que esteja no governo terei exatamente a mesma atuação, porque não sou eleito pela São Caetano à Lapa, mas parece que o Partido Socialista é eleito pelo Largo do Rato.
Temos gosto de ir concorrer por dois partidos, PSD e CDS, temos muitos independentes, mas quem nos elege são os torrienses. É a esses que respondemos...

Festa – Quer para as Juntas, quer para a Câmara, o que consideraria um bom resultado?
M. C. - Eu posso dar-lhe resposta em relação à Câmara Municipal, e em relação à Câmara um bom resultado é vencer.
Mas, como temos exelentes candidatos e otimos projetos concorrentes às diversas Juntas, tenho uma prespetiva em relação a todas elas e só lhe posso dizer que o objetivo é igualmente vencer. Qualquer resposta que não fosse essa, estaria a ser contrário ao meu pensamento, que é a vitória.
Esta é a determinação que eu e toda a equipa que comigo trabalha tem. Vencer em todas as freguesias e ganhar a Câmara Municipal.

Festa – Neste momento temos o PS com maioria absoluta no executivo da Câmara. É um objetivo seu conseguir também uma maioria absoluta. É bom um partido ter uma maioria absoluta?
M. C. - O objetivo é vencer, se puder ser com maioria absoluta, melhor, até porque isso significaria a entrada dos cinco primeiros elementos da lista, e que grande qualidade têm os elementos que me acompanham.
Se vencermos sem maioria absoluta, seguramente que garantiremos forma de ter estabilidade na governação da Câmara Municipal. O importante é a vitória, mas isso será sempre o que os torrienses nos quiserem dar através do seu voto, quer com maioria absoluta ou não o importante e o objetivo é vencer.
As maiorias absolutas nem são boas nem más, depende das pessoas que as praticam e como as usam. Se tivermos alguém que ganhe com maioria absoluta e confunda autoridade com autoritarismo e a causa partidária com a causa da Câmara, então as coisas correm mal, pela forma como se gere uma coisa pública, como se gere uma Câmara Municipal.
Por isso, não é o mais importante para a nossa coligação “Juntos Somos Mais Fortes” (PSD / CDS).
O grande objetivo é vencer as eleições de 1 de outubro e passar a liderar os destinos da Câmara com ideias novas, diferentes e melhores para todos os torrienses.

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