George Michael, uma morte prematura

George Michael, uma morte prematura

O dia de Natal foi sombrio para a música popular planetária: morreu George Michael, um dos mais notáveis da pop que encantou gerações, que foi capaz de ser sempre solidário com os mais vulneráveis – a sua promoção da Band Aid é uma das evidências -, que tinha uma elasticidade vocal singular conseguindo multiplica-la em vozes distintas. Georgios Kyriacos Panayiotou, de seu nome próprio, foi músico, compositor, cançonetista e não se escusou a ter de interpretar originais e temas de outros. George Michael foi ainda um dos criadores da designada música techno associada à ‘disco’. O cantor britânico morre num ano de outras perdas importantes para a música: David Bowie, Glenn Frey, um dos fundadores, vocalistas e guitarristas dos Eagles, George Martim, produtor dos Beatles, Keith Emerson, o extraordinário pianista e teclista dos lendários Emerson, Lake & Palmer (um dos grupos responsáveis pelo rock sinfónico), os norte-americanos Prince e Nick Menza, este último ex-baterista dos Megadeth, que faleceu com 51 anos de ataque cardíaco, durante um concerto dos OHM, em Los Angeles, a 21 de Maio último, e Leonard Cohen.

George Michael morre aos 53 anos, sem ter terminado a carreira, num momento em que preparava nova reaparição, apesar das imensas dificuldades que mantinha em relacionar-se com a sua vida pública e privada, já evidenciada quando o músico tinha 27 anos, numa entrevista que deu. Aliás, encontramos muitas histórias semelhantes no movimento cultural popular, onde se inclui a música. Whitney Houston, Kurt Cobain, Amy Winehouse, Michael Jackson foram alguns dos artistas que nem sempre encontraram um meio-termo entre exposição pessoal e pública ou entre ter êxito e ser vítima dele.

George Michael teve ainda um problema maior: Jamais encarou a revolução na música com a introdução da imagem com meio estritamente comercial, como os videoclip na década de 80’. O britânico entrou nesse jogo, expôs-se, mas ao contrário do que fizeram os novos românticos Spandau Ballet, Classix Nouveaux ou Duran Duran, zangou-se com esse paradigma da música rock e teve dificuldade em perceber que numa carreira se ganham e perdem admiradores. George Michael talvez nem tenha assimilado a grandeza que protagonizou ao vender mais de 100 milhões de discos, mantendo uma legião de fãs que lhe esgotaram os concertos em todas as digressões.

A propósito das afirmações de George Michael, feitas em 1990, Frank Sinatra comentou: “Ele deveria agradecer ao Senhor todas as manhãs quando acorda por tudo o que tem. E isso faria com que fôssemos dois a agradecer a Deus todas as manhãs por tudo o que temos”. Então, o já falecido Sinatra disse não perceber “quem vive na esperança de reduzir a pressão do seu status de celebridade" e aconselhou o britânico a relaxar: “Swing, homem. Limpa as teias de aranha nas asas e voa até à lua da tua escolha...

 

Na Band Aid e no Live Aid desde a primeira hora

George Michael integrou a Band Aid, um supergrupo de músicos britânicos e irlandeses constituído, em 1984, por Bob Geldof e Midge Ure, com o intuito de arrecadar fundos para combater a fome na Etiópia: Lançaram o LP "Do They Know It's Christmas?" no dia 15 de Dezembro desse ano, ainda a tempo de o transformarem num dos melhores presentes musicais de sempre em época de Natal. Foi produzido por Trevor Horn, tendo figurado entre os mais vendidos de então e nas duas reedições seguintes, nos Natais de 1985 e 1986.

O disco original foi gravado num único dia: 25 de Novembro de 1984 ficou na história da produção musical. Uma verdadeira maratona permitiu gravar o LP em menos de 24 horas, para garantir o lançamento a tempo de estar no sapatinho de milhões de fãs na noite de Natal.

A Band Aid tornou-se na fundação filantrópica "Band Aid Trust”, de onde resultou no grandioso concerto Live Aid, um fenómeno mundial que conseguiu ganhos dez vezes superiores aos lucros das vendas do disco “Do They Know It's Christmas?".

O grupo – a Band Aid – juntou-se em quatro ocasiões, ligeiramente reformulado, mas sempre juntando os mais famosos compositores e cancionistas da música pop britânica e irlandesa de então. Em 1989, a reunião aconteceu outra vez por causa de uma onda de fome na Etiópia. A Band Aid II regravou "Do They Know It's Christmas?", e a cançãoliderou novamente o Top da Pop no mercado britânico.

15 anos depois – em 2004 -, constitui-se a Band Aid 20, para gravar um trabalho semelhante com a mesma canção de base mas num estilo ligeiramente diferente. Aconteceu novo sucesso: a 5 de Dezembro de 2004 liderava as tabelas dos discos mais vendidos em todo o Mundo

Em 2009, a regravação da música "Do They Know It's Christmas?" foi da responsabilidade da banda Air Supply, composta pelo inglês Graham Russell e o australiano Russell Hitchcock.

Contudo, a 15 de Novembro de 2014 - 30 anos depois da versão original – foi gravada a versão do Band Aid 30, mas desta vez as contribuições foram a favor da luta contra a epidemia do vírus Ebola na África Ocidental. A canção foi gravada no Sarm West Studios, em Notting Hill, na cidade de Londres, precisamente no mesmo estúdio onde foi gravado o disco original. Desta vez, foi produzido por Paul Epworth, conhecido pelos trabalhos realizados com Adele e One Direction.

 

 

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