Lobo Antunes e Jaime Fernandes morreram antes de tempo.  27 de Outubro foi um dia trágico

Lobo Antunes e Jaime Fernandes morreram antes de tempo. 27 de Outubro foi um dia trágico

O mês de Outubro ficou assinalado pela morte de duas figuras públicas singulares na sociedade portuguesa, a do médico e investigador João Lobo Antunes e a do jornalista e radialista Jaime Fernandes. Ambos faleceram a 27 de Outubro, os dois notabilizaram-se por carreiras intensas e convicções inabaláveis. É justo fazer-lhes um tributo, tanto mais que estiveram distanciados da vida social, cor-de-rosa, e da ribalta na estrita procura da fama. Antes, foram personagens de trabalho.

 

Sempre na medicina e investigação

a favor do serviço público global

João Lobo Antunes - a quem muitos definiam como uma espécie de primeiro em tudo o que fazia - foi protagonista da excelência desde o tempo em que militou na academia, e na medicina, enquanto neurocirurgião, nas neurociências enquanto mestre e investigador e mesmo nas letras quando se dedicava à escrita ou à aprendizagem. O clinico é indubitavelmente um herói contemporâneo que merece ficar ao lado dos protagonistas mais antigos e endeusados da história portuguesa. Deve ser ensinado às gerações mais novas e vindouras, sobretudo pelo exemplo dado em vida, enquanto cidadão e trabalhador incansável no domínio das ciências médicas, em prol da comunidade global e naturalmente do serviço público.

O médico João Lobo Antunes foi publicado nas mais importantes publicações de medicina e das ciências da vida de todo o mundo. A sua imensa preocupação sobre o futuro de Portugal levou-o a escrever também dezenas de artigos e pensamentos de grande lucidez sobre opções estratégicas que considerava vitais para o País. Ao todo, identificam-se 190 publicações.

João Lobo Antunes pertenceu a 15 sociedades profissionais entre elas à World Academy of Neurological Surgery, à World Neurosurgery, à American Academy of Neurological Surgery, à American Association of Neurological Surgeons e naturalmente à Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia de que foi presidente.

De entre os cargos que desempenhou foi Diretor do Serviço de Neurocirurgia do Hospital de Santa Maria, Lisboa, entre 1984 e 2014; Presidente do Conselho Pedagógico da Faculdade de Medicina de Lisboa de 1988 a 1989; Presidente do Conselho Científico da mesma universidade (1996-2004); Presidente do Instituto de Medicina Molecular (IMM), de 2002 a 2014; Presidente da Sociedade Europeia de Neurocirurgia durante 4 anos, entre 1999 e 2003; e era o Presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV).

O Dr. João Lobo Antunes foi membro do Conselho de Estado durante dez anos, entre 2006 e 2016, e pertenceu aos conselhos editoriais da Clinical Neurosurgery, da Neurocirurgia, da Acta Neurochirurgica, da Advances and Technical Standards in Neurosurgery, do Journal of Neurosurgical Sciences, do British Journal of Neurosurgery, do Neurology, edição indiana, do World Neurosurgery e foi presidente da Babel Editora.

Lobo Antunes licenciou-se em medicina em 1968 e doutorou-se 15 anos mais tarde, em 1983, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Mas entre 1971 e 1984 mudou-se de Lisboa para Nova Iorque: fez um percurso extraordinário durante 13 anos, muito dedicado ao estudo e à investigação, integrando o Departamento de Neurocirurgia do New York Neurological Institute, Columbia Presbyterian Medical Center, da Universidade de Columbia. Foi investigador bolseiro da Fundação Fullbright e da Fundação Matheson e, posteriormente, nomeado professor associado de Neurocirurgia da mesma Universidade.

O médico e investigador regressou a Portugal em 1984, tornando-se professor catedrático de Neurocirurgia da Faculdade de Medicina de Lisboa. Em 1996 foi eleito para o Conselho Científico da mesma universidade, precisamente no ano em que lhe foi atribuído o Prémio Pessoa. Era professor emérito da Universidade de Lisboa desde 2015.

O Dr. João Lobo Antunes mereceu seis distinções de âmbito nacional: Medalha de Honra do Concelho de Cascais, em 2001; Medalha de Mérito de Ouro do Ministério da Saúde, em 2003; a 9 de Junho de 2004 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique; quase 10 anos depois, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (3 de Junho de 2014); e a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, a 7 de Abril de 2016). João Lobo Antunes nasceu a 4 de Junho de 1944, em Lisboa, e faleceu aos 72 anos.

 

Adeus à “voz da música americana”

Desapareceu o jornalista, uma das vozes mais distintas da rádio, uma presença que emanava confiança a quem o via no pequeno ecrã. Morreu Jaime Fernandes o provedor do telespectador da RTP, desde 2013. Mas acima de tudo, a comunidade jornalística portuguesa ficou mais pobre: perdeu-se um comunicador apaixonado pelas coisas da música, sobretudo por todo o ritmo americano a quem um dia chamaram “a voz da música americana”. Também morreu o fundador do mais antigo programa radiofónico, com 32 anos, o “Oceano Pacífico” da RFM.

Jaime Fernandes tornou-se conhecido pelo timbre da sua voz, entre as gerações que ouviam rádio no final da década de 60, na Emissora Nacional onde emprestou a voz a cenas de peças de teatro radiofónico. Mais tarde, nos Anos 70’, tornou-se conhecido aos microfones da célebre Rádio Clube Português, notabilizando-se no programa “Música na América”, bem como por ter integrado a administração daquela estação emissora, enquanto membro eleito pelos trabalhadores pós-25 de Abril de 1974.

Depois, notabilizou-se ao fazer parte da equipa que criou o extraordinário programa “Oceano Pacífico”, em Outubro de 1984, que ainda hoje – 32 anos depois - se ouve na frequência da RFM, da estação Rádio Renascença, sendo o mais antigo programa radiofónico em Portugal e com uma enormíssima legião de fãs de várias gerações.

A carreira de Jaime Fernandes foi sempre dedicada ao serviço público da comunicação: foi autor e apresentador de diversos programas na RDP (Radiodifusão Portuguesa) e na RTP a Rádio Televisão Portuguesa.

Ao serviço da RDP, foi correspondente n' A Voz da Alemanha em 1980. Mais tarde, de 1981 a 1983, dirigiu os programas na Rádio Comercial, juntamente com João David Nunes. de 1981 até 1993. Entre os anos de 1989 e 1994, foi administrador da RDP - onde criou a RDP Antena 3 -, da revista TV Guia e do Pavilhão Atlântico, tendo-se tornado gestor do canal 1 da RTP em 2000, cargo que ocupou por um ano.

Na Rádio Televisão Portuguesa, foi ainda director de programas, dos canais internacionais e de novos projectos. Organizou o canal RTP Música, que nunca chegou a emitir apesar de ter sido apresentado oficialmente em 2011. Ainda dirigiu a RTP internacional e a RTP África até se reformar.

Depois de se reformar, em 2013, tornou-se no provedor do telespectador da RTP e administrador da MEO Arena, onde se envolveu na organização da Web Summit.

O jornalista e radialista, produziu a série Estranha Forma de Vida - Uma história sobre a música popular portuguesa, desde os anos 30. Jaime Octávio Pires Fernandes nasceu em Lisboa, a 23 de Junho de 1947, e morreu com 69 anos.

 

 

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