Psicologia: As Birras...

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As birras são, muitas vezes, temidas pelos pais que, nos lugares mais inadequados, se sentem pressionados a resolver a situação na presença estranhos e de olhares alheios. Até mesmo na privacidade de casa, as birras conseguem colocar à prova as competências parentais.

Bons exemplos de birra são uma criança que explode com impaciência ou outra que grita no meio do supermercado depois de ouvir um "não". Bater, chorar, gritar, dar pontapés, atirar-se para o meio do chão e usar linguagem não permitida são manifestações típicas que acompanham a birra de crianças entre os três e os seis anos (por vezes estes comportamentos podem ser observados em crianças mais velhas – ex.: sete/nove anos). Esta explosão emocional a que chamamos de birra pode ocorrer em qualquer lugar e a qualquer momento, seja no café, no parque ou na consulta do médico. Por vezes, mesmo depois do motivo da birra parecer resolvido (Ex. quando o pai dá, finalmente, o brinquedo), a criança pode não chegar a atingir um nível de calma ou satisfação.
Aquando da birra, a criança encontra-se numa espécie de montanha-russa emocional que pode ser atribuída a uma fase imatura do desenvolvimento do cérebro, que lhe limita a capacidade de regular as suas próprias emoções. Assim, estas situações são comuns e consistem num comportamento bastante esperado para as crianças. Tente manter em mente que as crianças não são as únicas a sucumbir a um acesso de raiva... Os adultos também são conhecidos por apresentar esse comportamento desagradável.
A birra que ocorre durante a infância é, frequentemente, associada a um "não", mas não necessariamente. A súbita explosão de emoções pode, nem sempre, ser facilmente percebida. O gritar e atirar-se para o chão pode simplesmente ser um meio para as crianças mais agitadas libertarem o seu excesso de actividade. Também, a fome ou o cansaço podem gerar uma birra, sendo a forma que a criança encontra para conseguir comunicar e expressar essas necessidades. Outras vezes, quando a rotina da criança é interrompida, pode aumentar a frequência das birras. Na sua grande maioria, as circunstâncias que espoletam estes comportamentos têm na sua base nos sentimentos de frustração. Contrariamente ao que se possa pensar quando associamos as birras a situações unicamente desagradáveis, estas também podem surgir quando existe uma elevada tensão ou stress no que respeita a situações agradáveis ou emocionantes. Concluindo, a birra acaba por ser desencadeada num misto de factores: a capacidade limitada da criança na compreensão e na expressão das suas necessidades e desejos vão unir-se com a frustração adjacente.

 

O que fazer, então?
Quando o comportamento da criança começa a ficar fora do controlo é importante e necessário que os pais intervenham e recuperem o equilíbrio da situação. Enquanto adultos, os pais precisam de tentar manter-se calmos, com a cabeça no lugar, e não ficarem com raiva do filho(a). Perderem igualmente o controlo só irá intensificar o comportamento e dar aso a um acesso de raiva por parte da criança. Associar comportamentos como gritar ou constranger a criança em público, apenas contribuirá para reforçar o comportamento com o qual não quer lidar no futuro.
Permanecer calmo é fundamental quando se lida com uma birra. Quando possível, o melhor é ignorar o acto dado que muitas vezes, um acesso de raiva persiste quando há um público. Tentar argumentar com a criança no meio de uma birra é ineficaz: Muitas vezes, têm as emoções tão à flor da pele que não ouvem nem estão atentos àquilo que lhe estão a dizer. Argumentar durante esta fase e pedir justificações só lhes vai causar mais frustração. Uma vez que o acesso de raiva passa, a criança necessita de conforto e apoio: Ao conversar com tranquilidade vai mostrar que se importa e vai permitir não só compreender a reacção e sentimentos da criança, como também orientá-la para comportamentos mais positivos.
Apesar dos esforços de qualquer pai, nalguma circunstância a criança vai quebrar as regras. Existem algumas dicas que podem ajudar os pais a incentivarem a criança a cooperar:
As consequências do comportamento da criança devem ser naturais e lógicas, permitindo que esta perceba que as suas acções têm consequências (Ex.: Se atirou o boneco para o chão e o partiu, então não o tem mais para brincar). A retenção de privilégios também costuma ajudar, retirando à criança o brinquedo preferido ou o acesso à televisão durante um determinado período de tempo quando esta teve um comportamento inadequado (nunca negamos algo de que a criança necessita, como é o caso de uma refeição). Por vezes, quando a criança começa a dar indícios de uma birra, é importante avisá-la: Se o comportamento persistir, podemos orientá-la para um lugar calmo e sem distracções até que a criança se acalme. Posteriormente, podemos orientá-la para uma actividade mais positiva. Acima de tudo, devemos dar o bom exemplo: As crianças aprendem formas de agir observando os pais e os adultos que os rodeiam, por isso a melhorar forma de lhes mostrar como se devem comportar é dando um exemplo positivo que possam seguir.
Por fim, mas não menos importante, existem cuidados a ter quando se critica a criança. A crítica não deve ser dirigida à criança em si ("és mau"; "és feio"), mas sim ao comportamento ("não deves correr na rua, é perigoso"). Associar o mau comportamento como um modo normal da criança ser só vai reforça a conduta que pretendemos evitar.
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Read 873 times Last modified on quarta, 19 outubro 2016 02:50
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