Joaquim Cruz é hoje um verdadeiro torriense de coração, por adopção, embora goste muito de Vila Real, sua terra natal

Joaquim Cruz é hoje um verdadeiro torriense de coração, por adopção, embora goste muito de Vila Real, sua terra natal

Joaquim Cruz, é um transmontano que se radicou em Torres Vedras e onde se tornou importante elemento da nossa sociedade.
Pelo meio, uma passagem por Angola, onde esteve alguns anos, mas o seu coração, neste momento, já é na sua quase totalidade torriense.
Muitos conhecem-no como o professor Cruz. Foram seus alunos ou estudaram em escolas que ele dirigiu. Outros conhecem-no como o Dr. Cruz, sempre ligado ao associativismo, com o seu ponto de maior visibilidade atingido quando foi presidente do SCU Torreense. Outros ainda, devido à sua enorme fé, conhecem-no pelo diácono Joaquim Cruz, missão que abraçou junto ao início do século e que desempenha com enorme dedicação e fervor.
Quer uns quer outros nutrem por Joaquim Cruz uma admiração e respeito ímpares, só conseguidos pela postura simples, sóbria e afetuosa que sempre manifestou por que esteve ao seu redor, fosse qual fosse a situação.

Revista Festa - O professor nasce em Vila Real e é nessa cidade de Trás-os-Montes que passa a sua juventude?
Joaquim Cruz - Nasci em Vila Real e, claro que tenho muito orgulho em ser transmontano.

Festa - Agora é fácil chegar a Vila Real. Na altura em que lá cresceu não era tão fácil assim?
J. Cruz - Era muito longe de tudo no tempo em que nasci, é verdade. Atravessar o Marão e as “curvas do Marão” era muito complicado, mas hoje as Auto-Estradas, os meios de comunicação, aproximaram tudo e é muito fácil  deslocarmo-nos a qualquer local do país.
Atravessamos o país de lés-a-lés com uma facilidade enorme de forma rápida, cómoda e segura.
Continuo a ir lá, vou com toda a facilidade e faço-o sempre com um enorme prazer.

Festa - Estudou por lá, enquanto jovem?
J. Cruz - Desde o início, do ensino primário até ao final do meu curso liceal, depois ia-se para o Porto ou para Lisboa continuar os estudos, no meu caso vim estudar para Lisboa, onde tirei o meu curso na Faculdade de Letras.

Festa - Pelo meio surge a “tropa”?
J. Cruz - Como para todos, era obrigatório. Nessa altura calhou-me ir para Angola, onde fiz o serviço militar e também fui professor. Depois de ter sido desmobilizado regressei a Luanda, casei e continuei a dar aulas.

Festa - Porque regressa à metrópole?
J. Cruz - Por razões que todos devem conhecer, em 1975 tivemos que regressar e na altura consegui ser colocado aqui, no antigo Liceu Nacional de Torres Vedras, agora Escola Madeira Torres, onde lecionei português, latim e grego.

Festa - Acabou inclusivé por ser presidente do Conselho Diretivo do Liceu?
J. Cruz - Foi. Cheguei em janeiro e fui eleito para o CD em novembro desse mesmo ano, pelos meus colegas.


Festa - Ainda lecionou na Escola Madeira Torres?
J. Cruz - Sim, embora pelo meio, para me tornar professor efetivo, tivesse que ir fazer estágio em Sintra. Regressei, fui colocado um ano na Escola Henriques Nogueira e voltei à Madeira Torres, onde estive de novo à frente do Conselho Diretivo, nessa segunda passagem. Foram trinta e oito anos de professor, no ativo.

Festa - Sempre teve essa postura muito reservada, mas as pessoas sempre gostaram de si...
J. Cruz - Obrigado. É verdade que sempre tive este ar mais sério, mas também sempre gostei de viver, e trabalhar em grupo, na comunidade. Sou muito sociável e gosto imenso de o ser.

Festa - Já conhecia Torres Vedras?
J. Cruz - Só mesmo de passagem. Vim visitar uma família que tinha conhecido em Luanda, e da qual hoje faço parte, por ser a família da minha esposa, namorada nessa altura, com quem casei em 1970.
Embora já conhecesse a região, pois, antes de ser mobilizado para Angola, tinha estado no COM em Mafra.

Festa - Nessa altura era comum escutar-se quem chegava das províncias ultramarinas referir-se a um choque cultural enorme. Também o sentiu?
J. Cruz - Luanda, pelo menos para mim, nessa altura era superior a Lisboa em termos culturais e de qualidade de vida. Ainda assim o choque não foi muito grande, porque embora os pais da minha esposa também estivessem lá, tinha cá família e tudo foi mais fácil.

Festa - Pelo meio liga-se muito à parte associativa?
J. Cruz - Estive sempre ligado. Primeiro integrado num grupo de apoio ao Clube Artístico e Comercial (Grémio), depois na AE Física, com o Dr Vítor Guerreiro, embora não pertencendo aos órgãos sociais, e depois no SCU Torreense, também a convite dele e dos Drs António Rosa e Amílcar Miranda, onde, desde vogal a presidente passei por todos os cargos na direção, desde 1982 a 1994.

Festa - Estar à frente dos destinos do Torreense não é o mesmo que estar à frente de uma escola?
J. Cruz - É difícil. Nas várias direções de que fiz parte foi sempre complicado aguentarmos o clube num determinado nível e a cumprir com todas as suas obrigações.
Não era fácil nessa época nem é hoje, devido à proximidade a Lisboa.

Festa - Entretanto começa a afastar-se um pouco do clube e do movimento associativo?
J. Cruz - É verdade, mas mais por uma questão de tempo que de gosto.
Todos sabem que sou um homem de fé proveniente de uma família católica, e em 2002 sou ordenado diácono, o que veio a limitar um pouco o meu tempo disponível para estas causas, tendo-me centrado quase exclusivamente nessa missão.

Festa - Como é que uma pessoa se torna diácono?
J. Cruz - Uma pessoa não pode chegar à igreja e dizer: “quero ser diácono”.  
É por convite, sendo dado às pessoas convidadas um determinado prazo de reflexão, de discernimento, para depois, caso continue a ser consensual, ser feita uma formação e posterior ordenação na missão da diaconia.

Revista Festa - No fundo, o que é um diácono?
J. Cruz - É uma pessoa que está ao serviço da igreja, sobretudo no serviço da caridade.

Festa - É por isso que surge ligado ao Centro Social Paroquial de Torres Vedras?
J. Cruz - É uma IPSS católica onde faço parte da direção, sim.
Mas, isso faz parte da missão de diácono, assim como a ajuda e colaboração na liturgia, na pregação, mas muito em especial no serviço social.

Festa - Mas um diácono também celebra casamentos, batizados...
J. Cruz - Primeiro o serviço social e a caridade, mas sim, o diácono também preside a casamentos, batizados, funerais, celebração da palavra e assistência espiritual, que estão na sua missão.
Atos como a celebração da missa e da penitência são exclusivo dos sacerdotes.

Festa - Sente-se bem na função de diácono?
J. Cruz - Sinto-me como um homem que faz, por vontade de Deus, aquilo que Deus quer que faça.
Ao longo de toda a minha caminhada, onde a fé sempre esteve presente, mesmo não sendo diácono ainda, sempre aceitei fazer, com as limitações próprias que uma pessoa normal tem, aquilo que Deus tinha destinado para mim. Em especial o serviço à igreja e o serviço aos outros foi uma graça que Deus me concedeu e da qual Lhe estou muito grato. Sou uma pessoa realizada por isso mesmo.

Festa - Ainda é uma pessoa relativamente nova. Como encara o seu futuro?
J. Cruz - Quando me aposentei da escola, num jantar que os colegas me fizeram, tive oportunidade de frizar que “aquilo que vou fazer é tão ou mais importante do que aquilo que tenho feito até aqui”.
Até ao fim dos meus dias serei diácono, pois é uma missão que me preenche completamente e dá uma enorme felicidade.
Para mim, a vida só tem interesse se nos colocarmos ao serviço dos outros, passando, por vezes, por cima dos nossos próprios interesses.
 Na minha visão, a vida só tem interesse e só faz sentindo, servindo...

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