Luís  Santos, trinta anos de direção e vinte e sete como presidente na Adega Cooperativa de São Mamede da Ventosa

Luís Santos, trinta anos de direção e vinte e sete como presidente na Adega Cooperativa de São Mamede da Ventosa

É um dos homens mais conceituados no movimento associativo, na nossa região e não só. Foi um dos principais responsáveis por elevar uma pequena Adega ao patamar atual em que se situa, como a maior produtora nacional de vinho.
Sempre preferiu trabalhar em equipa, mas todos lhe reconhecem os méritos próprios que possui.
Muito recentemente acabou por passar o “testemunho” da presidência, mas o “bichinho” não lhe permite estar muito longe da sua paixão de sempre: a Adega Cooperativa de São Mamede da Ventosa, em Torres Vedras.

Revista Festa - Luís Santos está na Adega de São Mamede Ventosa... desde sempre?
Luís Santos- (sorriso) Quase desde sempre...
Estudei em Torres Novas, por incrível que pareça, foi lá que fiz o sétimo ano na altura, estive em veterinária, mas a terra “chamou por mim”, o meu pai também, tomei conta das terras da família e sou agricultor há cerca de quarenta anos.
Sempre tive muito interesse por tudo o que me rodeava e por volta dos anos oitenta nasce aqui, em Torres Vedras, uma Associação de Jovens Agricultores, de que acabo por ser um dos fundadores. É também aí que nasce a minha paixão pelo associativismo.
Só em 1987 é que venho a ser convidado a fazer parte desta equipa da Adega de S. Mamede, como tesoureiro do Sr Luís Ferreira Carimbo e com o Sr José A Sales.

Festa - Mas assume a presidência muito rápido?
L. S. - Ao fim de três anos o presidente decide que tinha chegado a hora de ser retirar e acabo por assumir eu a presidência da Adega, onde me mantive até final do ano.


Festa - Quer isso dizer que tiveram eleições no final do ano na Adega. Luís Santos afastou-se?
L. S. - Não, claro que não, mas achei que estava na altura de deixar o lugar para um colega mais jovem e, como eu há vinte e sete anos, coube agora a vez ao Luís Aniceto de assumir a presidência. Não vou deixar de dar o meu contributo a um projeto e a uma equipa com que me identifico, só que, a partir do início do ano, como diretor da equipa presidida pelo Luís Aniceto e onde continua também o Joaquim Amaro.

Festa - O lugar que se ocupa, no caso, não parece ser o mais importante, até porque, pelo menos aparentemente, sempre foram uma equipa?
L. S. - Também é verdade e, se calhar, o sucesso que temos tido também tem muito a ver com a força das equipas que se foram conseguindo criar.
Aliás, não gosto mesmo nada de falar de mim. Nestas coisas o importante são as equipas e as instituições. É bom quando os outros falam...

Festa - As pessoas gostam de o escutar, sabe?
L. S. - Mal de nós quando todos só falam bem.
É bom que também haja críticas, porque muitas vezes nos ajudam a tomar decisões, a melhorar e evoluir.

Festa - Mas tiveram um trabalho meritório ao longo destes anos?
L. S. - Procurámos que isso acontecesse. Penso que se fez muita coisa.

Festa - Como era a Adega há trinta anos atrás?
L. S. - Não são coisas que se possam comparar, por variadíssimas razões: foi outro período, foi outra época, não havia as exigências que existem hoje. Estava bem para a época.
Hoje passa-se por lá e vê-se as duas instalações que temos, as tecnologias e equipamentos de que dispomos e na época, por exemplo, os depósitos eram ainda em cimento e nem revestidos a hipóxito estavam.
Portanto, para a época estava bem, só que os anos e as exigências de mercado obrigaram-nos a evoluir, como é lógico e compreensível.

Festa - Qual a principal evolução?
L. S. - Em especial depois da adesão à CEE -União Europeia, agora- o principal problema que tínhamos prendia-se com as castas que produzíamos.
Na Adega, o primeiro avanço foi no sentido de se convencer os nossos associados de que tínhamos de dar passos em relação ao futuro, como uma linha de engarrafamento e outros.

Festa - Os associados, aceitam bem essas mudanças?
L. S. - Para alguns foi mais complicado, mas, felizmente a maioria percebeu e aceitou que esse teria que ser o caminho.
Aliás, estou convencido que se a Adega não tem feito algum esforço de investimento, nessa altura, que lhe permitiu apetrechar-se para fazer face às novas realidades, poderia estar hoje na situação em que outras da região se viram e dificilmente sobreviveria.
Agora não se podem fazer investimentos megalómanos, tem que se investir em equipamentos rentáveis que nos permitam avançar e acompanhar o que os mercados nos exigem.

Festa - Quais o grandes investimentos?
L. S. - Primeiro, essa linha de engarrafamento. Uns anos depois, como era prioritário, investimos nas condições de receção das uvas que os nossos associados nos depositam.
No final do século apostámos nos grupos de frio, controlo de fermentação e cubas, e uns anos depois fomos obrigados a investir em mais cubas, para acompanhar a resposta à nossa capacidade e necessidades.
Nestes projetos, embora tivessemos que fazer um esforço financeiro enorme, ainda assim permitiu-nos receber quase dez milhões de euros de comparticipação a fundo perdido, o que os tornou possíveis de realizar. Aliás, foi o que se verificou com o investimento nas nossas novas instalações, inauguradas pelo Sr Presidente da República, em que dos cerca de quatro milhões e meio de investimento tivemos um apoio na ordem dos quarenta por cento.
Estes projetos não só pelo prazer de termos coisas modernas e bonitas. São para podermos fazer vinhos melhores, capacidade de engarrafamento, tecnologia adequada às exigências, melhor receção na altura das vindimas, em que temos dias de receber quase dois milhões de quilos de uva, etc.
Para além disso, criámos uma equipa técnica de campo para dar assistência aos viticultores, o que é muito importante para os nossos associados.

Festa - A Adega, está numa situação estável?
L. S. - Bastante estável mesmo.

Festa - Pelo meio, Luís Santos acumulou funções com a presidência da Fenadegas?
L. S. - É verdade, fui dois anos tesoureiro, quatro anos vice-presidente e outros quatro presidente das Federação das Adegas Cooperativas, devido à importância que a nossa Adega uma das fundadoras da própria Fenadegas
Nesse período de presidência, e por inerência, fui igualmente tesoureiro da Confagri e estive nos Conselhos Consultivos do IVV.
Não tanto pelos lugares mas mais pelo conhecimento que consegui adquirir enquanto lá estive, penso que foram coisas positivas que se vieram a refletir na nossa própria Adega.

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