Fernando Brás conversou connosco sobre a sua paixão pelas duas rodas, em especial pelas “vespas”

Fernando Brás conversou connosco sobre a sua paixão pelas duas rodas, em especial pelas “vespas”

Revista Festa - O que são na realidade as “vespas”?
Fernando Brás - São um veículo de duas rodas, tipo scooter para os ingleses, mas no mundo inteiro a “vespa” espalhou-se mais, porque em 1960 a fábrica da Innocenti parou com a fabricação da lambreta.
A “vespa” começou a ser fabricada em 1943, quando se produziram 250 unidades, mas em 1964 já se atingiam as 1250 unidades. Em 1965 já estavam nos cinco continentes, em 166 países, e já se fabricavam versões em Itália, India, Indonésia e outros locais...



Festa - O Fernando Brás, como aparece ligado às “vespas”?
L. S. - Tinha eu 20-21 anos quando comprei uma “vespa” aqui em Torres Vedras, ao “Sr Miguel das Vespas”, uma cinquentinha para vir para o trabalho.
Aos 25 anos casei, comprei um carro e vendi a “vespa”.
Em 1987 acabei por comprar uma “sprint”, uma 150cc, a um vizinho meu por trinta contos, que depois restaurei. Uns tempos mais tarde outro vizinho tinha uma outra à venda, pelo mesmo valor, e acabei por a comprar também e mandar restaurá-la em Tires, onde um primo meu conhecia um mecânico especializado.

Festa - Essa foi a “vespa” que fez história?
L. S. - É verdade. Esse mecânico já fazia parte de um clube, o Vespa Clube do Estoril, e quando fui lá buscá-la, já toda restaurada, esse senhor, Fernando Pinho, propôs que me fizesse sócio do clube. Achei engraçado e passei a ir aos passeios deles, com o Nuno Faria, outro apaixonado pelas “vespas” aqui bem perto, em Óbidos.


Festa - É aí que nasce o interesse em formar um clube aqui?
L. S. - Ainda não, pois juntámos um grupo aqui, em Torres Vedras, de vinte e tal vespistas, mas continuámos a ir até lá, como núcleo do clube do Estoril.
Só uns anos mais tarde é que pensámos em fazer o nosso próprio clube aqui, em Torres Vedras.

Festa - Quando é que isso acontece?
L. S. - Aqui, em Torres Vedras, a escritura do nosso clube foi feita em 2005.

Festa - Estavam tão empenhados que estão na fundação do próprio Vespa Clube de Portugal?
L. S. - Nessa altura existiu um VCP, que era o Vespa Clube de Lisboa, o primeiro clube formado a nível nacional. Mas depois entenderam mudar o nome para “Lisboa” e deixou de existir o VCP.
Em 2009, um grupo entendeu que deveria existir um clube mesmo nacional e fez-se a escritura do Vespa C Portugal, que é uma espécie de federação que tem por função gerir as atividades do vespismo a nível do país.

Festa - Existem muitos clubes a nível do país?
L. S. - No Vespa Clube estamos trinta e três, mas existe mais uma série de grupos e clubes que não estão associados.
Com os associados, temos um calendário nacional que começa em abril e termina em setembro. Quase todos os fins de semana temos passeios e atividades.


Festa - É isso que vos motiva. O que vos leva a andar de “vespa”?
L. S. - É assim. Fazemos projetos, juntamos os amigos e fazemos passeios até locais diferentes de cada vez.
A parte de montar a “vespa”, cuidar dela e depois fazermo-nos à estrada é uma coisa diferente, mais complicado de explicar.
Lembro-me de uma vez que fomos até Espanha, apanhámos três chuvadas em cima delas, passámos por um eucaliptal e disfrutamos daquele cheiro do eucalipto e da terra, molhados, passámos por outros locais sempre com cheiros carteristicos, diferentes de qualquer coisa a que estejamos habituados, e são estas pequenas coisas, junto com um são convívio e camaradagem, entre os amantes desta atividade, que nos proporciona momentos únicos e inesquecíveis e nos faz querer sempre mais e estar ansiosos próximo passeio. É fantástico!

Festa - É caro manter uma “vespa”?
L. S. - Não. Se ela for nova não tem muita manutenção, agora se já tiver uns aninhos restaurá-la custa algum dinheiro.
Depois temos aquela manutenção antes dos passeios, que alguns se esquecem de fazer por vezes e depois não dá bons resultados, mas é coisa que dá mais trabalho que despesa. Só que quando se faz as coisas por gosto, costuma dizer-se que não cansa.
Agora a “vespa” é um veículo que aguenta muito...

Festa - Em Torres Vedras têm um Clube muito forte com instalações e tudo?
L. S. - Sim. Estamos há doze anos na antiga escola primária da Ordasqueira, que a Câmara Municipal nos cedeu, com a condição de a disponibilizarmos sempre que necessário, em especial na altura das eleições.
Temos feito alguns melhoramentos, temos contado com diversas ajudas, muito em especial da Junta de Freguesia de St. Maria S. Pedro e Matacães, e temos um espaço agradável onde nos reunimos, pelo menos todas as sextas-feiras.
Por outro lado, este ano fizemos uns balneários, temos espaço para se poder montar algumas tendas, e estamos num roteiro europeu como “abrigo vespista”, onde quem necessitar ao passar pela região pode contactar-nos e disponibilizamos as condições para poderem pernoitar e descansar antes de seguir viagem.
No espaço também criámos capacidade para receber perto de 150 pessoas, temos cozinha, material necessário, e de vez em quando fazemos os nossos eventos ou reuniões de associados e família.

Festa - Muitas razões para os vespistas se associarem?
L. S. - Sim, mas temos mais vantagens, como por exemplo um seguro vespista, negociado pelo VCP, em que os nossos associados usufruem de inúmeras vantagens por um valor quase simbólico, muito abaixo dos valores normais de mercado. Mas não só. O convívio, ainda assim, continua a ser o mais importante.

Festa - Como é que se pode ser associado?
L. S. - É fácil. Basta ser vespista, dirigir-se à sexta-feira à nossa sede e teremos todo o gosto em bem receber.

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