Miguel Pinto - O “Chef” e empresário da restauração que já foi presidente do SC Lourinhanense, estando nos momentos aureos do clube!

Miguel Pinto - O “Chef” e empresário da restauração que já foi presidente do SC Lourinhanense, estando nos momentos aureos do clube!

Empresário da restauração, começou a trabalhar ainda muito novo e hoje é um conhecido “chef” da nossa região, detendo uma casa de referência na Lourinhã.
O futebol também muito cedo lhe despertou a atenção, tendo passado “uma vida” ligado ao SC Lourinhanense, o clube da sua terra. Foi jogador, capitão, chefe de departamento de futebol e presidente.
Os melhores anos do Lourinhanense tiveram sempre Miguel Pinto presente, momentos que recorda com muita emoção e carinho.
Miguel Pinto, para além de profissional reconhecido, é também pessoa extremamente afável, empática e comunicadora. Estivemos “à conversa” com o “chef”.

Revista Festa – Miguel, desde sempre no Lourinhanense, o clube de coração?
Miguel Pinto – Comecei a jogar no Lourinhanense muito novo, ainda em júnior, porque na altura não havia outros escalões no clube, joguei aí dois anos, embora no segundo ano já tenha jogado também nos seniores, depois... foram trinta e sete anos sempre ligado ao clube, com um único ano de interregno em que fui representar o Valcovense, para poder jogar no campeonato nacional.

Revista Festa – Quer isso dizer que deixaste de jogar e continuaste ligado ao clube?
Miguel Pinto – Sim. Joguei treze épocas e depois estive vinte e quatro como dirigente, primeiro a convite do então presidente José Manuel Custódio, que me convidou para o futebol jovem, onde depois, durante seis anos, fui vice-presidente para o futebol juvenil.
De seguida faço mais seis anos como vice-presidente para o futebol sénior, outros seis como presidente do clube e dois como presidente do Conselho Fiscal.

Revista Festa – Como se dá a passagem do futebol juvenil para o futebol sénior. Foi de forma natural, devido ao empenhamento e mérito que todos reconhecem na Lourinhã?
Miguel Pinto – Na verdade, o futebol juvenil era a minha paixão. Foi comigo que todos os treinadores dos escalões jovens passaram a ter formação e curso de treinadores, estive ‘de corpo e alma’, com a equipa que tinha na altura, no futebol mais jovem. De tal forma que ainda hoje, embora vá a quase todos o jogos do clube na Lourinhã, não perco um jogo das classes jovens, sempre que posso.
Entretanto, acontece um ano bastante conturbado para o clube e acabou por se fazer uma Comissão Administrativa, onde estive muito empenhado, pois tratava-se do clube do meu coração e da minha terra, e ao convidar o Alfredo Santos para assumir a presidência senti-me quase na obrigação de assumir o futebol sénior, por necessidade.
Foi uma altura muito complicada, mas lá conseguimos ultrapassar esse período e seguir em frente até dias melhores.

Revista Festa – Tudo isso porque o futebol é a verdadeira bandeira do SC Lourinhanhense, embora tenha mais modalidades, como por exemplo o ténis, onde jogaram atletas muito interessantes.
O Gastão Elias, por exemplo, é da Lourinhã, também jogou no clube?
Miguel Pinto – Por acaso não. Quando construímos os curts de ténis, já na minha presidência, e não foi nada fácil construi-los, o Gastão já era um tenista com algum nome e experiência, embora seja Lourinhanense, e goste muito da Lourinhã, nunca jogou no clube ou nos campos do clube, penso eu.

Revista Festa – O ‘presidente’ José Custódio, sempre que pode ajudou a Lourinhanense e nunca se desligou do clube?
Miguel Pinto – Claro que sim. Também ele teve tempos difíceis, mas nunca abandonou o Lourinhanense. Ainda hoje continua ligado, como presidente da Assembleia Geral.
Aliás, há duas pessoas a quem eu e o clube, mesmo discordando muitas vezes delas e tendo por vezes algumas discussões acaloradas, muito devemos: o José Manuel Custódio e o  Joaquim Arnaldo Carvalho Alves - o “Sr Dias”, que cometeu muitos erros, mas foi com ele que o clube começou a evoluir.

Revista Festa – Desportivamente, que momentos especiais recordas no clube?
Miguel Pinto – A subida à terceira divisão nacional foi marcante mas, depois, a subida à segunda divisão nacional foi sem dúvida o melhor momento desportivo que recordo ter passado no Lourinhanense.
Foi uma alegria indescritível.

Revista Festa – Outro dos pontos altos foi certamente quando conseguem estabelecer um protocolo com o Sporting CP para passar a ser “clube satélite”?
Miguel Pinto – Isso aconteceu no ano em que descemos de divisão, quando se fez a Comissão Administrativa, acabámos por ter um ano verdadeiramente terrível. As dívidas eram muitas, foram muitas horas perdidas a negociar com jogadores e fornecedores, podendo recordar, por exemplo, que eu e o saudoso António Bonifácio passámos literalmente mês e meio, no estádio, a negociar valores e formas de pagamento.
Por essa altura, o Filipe Moreira foi a pessoa que escolhemos para treinador quando o Mezaros saiu, e foi ele que acabou por me abrir as portas do Sporting, primeiro começando por ir pedir jogadores emprestados a Alvalade, ao então diretor desportivo Luís Norton de Matos, e ao fim de algumas conversas o Filipe acaba por sair do clube e surge o nome do Jean Paul em cima da mesa e a sugestão do Norton de Matos, que estava a pensar criar um clube satélite na época seguinte, de que o Lourinhanense pudesse ser “o tal”.
Chegámos a acordo e, três reuniões depois, levei o Alfredo Santos, o presidente, a Alvalade e foi colocado em cima da mesa tudo o que tínhamos negociado. O Alfredo não olhou duas vezes para trás e foi firmado esse acordo.

Revista Festa – Um acordo ótimo, que vos solucionou muitos dos problemas que tinham?
Miguel Pinto – Foi a melhor coisa que nos podia ter acontecido. Tínhamos uma dívida de cento e dezassete mil contos à época e logo no segundo ano do “satélite” conseguimos ter as nossas contas todas pagas.
Depois, foram os jogadores que passaram pela Lourinhã. Só para que se perceba, num dos anos, no Torneio Internacional de Toulon estiveram onze jogadores do Lourinhanense na Seleção Nacional. Claro que eram jogadores do Sporting, mas que estavam a representar-nos.
O “satélite” foi extraordinário para o clube e para a Lourinhã, quer em termos de visibilidade ou de promoção para o próprio concelho, quer em termos de saneamento financeiro para o clube.
E ficámos com imensos amigos nessas dezenas de internacionais, que, por exemplo, no dia 22 de janeiro vão estar, pelo menos duas dezenas e meia, já confirmados, num jantar, na vila.

Revista Festa – Como foi o ‘deixar’ o clube. Foi difícil?
Miguel Pinto – É sempre complicado, mas não foi tão difícil assim. Foram tempos em que lutei muito pelo clube e me desgastei imenso.
Aliás, ser presidente não era coisa que estivesse nos meus horizontes, mas a meio do último ano de “clube satélite” o Alfredo decidiu não continuar e como não apareciam listas, na última Assembleia, uma vez mais pedi ao presidente para remarcar a mesma para daí a uma semana comprometendo-me a convidar pessoas e apresentar uma lista então.
Assumi a presidência, no primeiro ano foi muito complicado, porque até aí os ordenados eram pagos pelo Sporting, estávamos na segunda divisão, e tivemos que encontrar verbas para fazer face às enormes despesas que passámos a ter.
Consegui estabelecer um protocolo, com o José Couceiro, para ser de novo “satélite”, agora do Alverca, e foram dois anos muito bons, mas o Luís Filipe Vieira entretanto deixa o Alverca para ir para o Benfica e a partir do segundo ano começaram os problemas, novamente, para o Alverca e por consequência também para nós.
Tudo isso levou a que no meu último mandato já não fosse “aquele prazer” que me levava todos os dias para o clube. Fazia-o mais porque gosto muito do Lourinhanense e era a minha obrigação para com o clube que tanto me deu também.
Apareceu gente com vontade e não hesitei... entreguei o clube de coração aberto e esperando que as pessoas que me sucederam fossem o mais felizes possível, pois se isso acontecesse eu ficaria feliz seguramente.

Revista Festa – A outra paixão é a hotelaria?
Miguel Pinto – Sim, claro. Comecei na hotelaria com onze anos... já lá vão cerca de cinquenta, e há trinta e cinco que me tornei empresário no ramo.
Comecei no 101, com o Raúl, onde fomos sócios durante quatro anos, depois sai, fiz sociedade com o Ernesto e abri a Canasta, uma parceria que depois se alargou ao Alato d’Arriba e ao Ninho do Sol.
Mas esse alargar de parceria não foi muito bom, na altura, porque ao fim de pouco tempo já estava esgotado, quase não dormindo, até que tive um acidente por ter adormecido a conduzir e resolvi que não podia continuar assim. Conversei com o Ernesto, de forma franca, deixámos de ter a parceria mas continuámos amigos e a jantar, pelo menos, quase todos os dias juntos, na Canasta, onde continuei.

Revista Festa – Uns anos depois acabas por deixar “o menino” que criaste e abres um novo espaço de restauração, aquele que tens atualmente?
Miguel Pinto – É verdade. Os encargos estavam a aumentar, o espaço começava a ter limitações para mim e acabei por comprar este, que agora tenho - O Castelo, na mesma Rua da Misericórdia, na Lourinhã, um pouco mais acima.

Revista Festa – Com o decorrer do tempo a cozinha tornou-se na outra grande paixão. Com tantas passagens pela televisão nacional, o Miguel já é, seguramente, o “chef da região mais conhecido, logo a seguir ao “Chacal” (sorriso)?
Miguel Pinto – A cozinha nasceu quase por acaso.
Tive uma cozinheira, ainda na Canasta, que tinha o mau hábito de dizer “não está bem faça melhor”... e entendi que tinha de encontrar maneira de “dar a volta” à situação. Mais que não fosse para perceber e mostrar que há coisas que se podem fazer melhor e não ter que pactuar com situações como as que se estavam a verificar.
Não disse nada a ninguém, fui tirar um curso de cozinha na Escola de Hotelaria do Estoril, aprendi algumas técnicas, melhorei, e um dia sentei essa senhora na cadeira e disse-lhe que só se levantava quando lhe dissesse para o fazer, porque naquele dia ia eu cozinhar...
A dita senhora percebeu, não me repetiu mais a frase, mas quatro ou cinco meses depois acabou por sair.
Mais tarde, voltei a tirar outro curso de cozinha, agora com a Escola de Hotelaria de Coimbra, através do Pólo de Óbidos, mas já tinha ganho o tal gostinho e já me dava imenso prazer cozinhar.

Revista Festa – Hoje em dia, ninguém tira o Miguel da cozinha. Para cumprimentar o “chef” Miguel tem que se espreitar pela greta da porta e acenar?
Miguel Pinto – (sorriso) Há meia dúzia de amigos que o faz, sim, e é sempre um enorme prazer recebê-los, mas foi também uma forma que encontrei de rentabilizar o negócio, pois nas mesas tenho dois funcionários, e amigos, que trabalham comigo há mais de trinta anos, o Vitor e o irmão Henrique, e que não necessitam que lhes ensine nada sobre atendimento, pelo que as coisas até começaram a correr bem assim e em equipa que ganha  não se mexe, como se diz no futebol...

Revista Festa – A televisão e as semanas gastronómicas na Lourinhã, têm sido positivas?
Miguel Pinto – Muito boas mesmo.
As passagens pela televisão para além da visibilidade fazem as pessoas querer vir ver como são as coisas na realidade, e em especial a primeira vez, em que estive a promover a Quinzena Gastronómica do Polvo, o programa passou já na terça-feira da segunda semana e posso dizer que a partir da quarta-feira seguinte foram dias de casa cheia, com pessoas à espera para poder entrar, vindas de toda a parte do país e não só da Lourinhã.
São pessoas que não estão cá todos os dias, mas que acabam por voltar algumas vezes mais, pelo que acho fantástico para a região e para a nossa restauração esse tipo de eventos.
Agora passámos a ter a quinzena gastronómica da Aguardente Lourinhã e tem sido muito bom também, em especial porque podemos associar um produto de elevada qualidade à gastronomia, ambos locais.

Revista Festa – O Dino Parque, também tem sido positivo para a restauração da Lourinhã?
Miguel Pinto – Tem sido um verdadeiro sucesso. Ainda não tem um ano de existência e já vai nos 350.000 visitantes, quando se previa um valor próximo dos 150.00 para o primeiro ano.
Toda essa gente passa pela Lourinhã, agora temos que encontrar formas de tornar a vila, e os nossos restaurantes, visíveis e atrativos para os visitantes quererem parar, fazer compras e apreciar a nossa gastronomia.

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