quarta-feira, 16 outubro 2019 | Login
Beirão, da Guarda, Armando Pereira adotou Torres Vedras como sua terra de coração

Beirão, da Guarda, Armando Pereira adotou Torres Vedras como sua terra de coração

Com formação na área da saúde, especializou-se em recuperação física e desportiva, já passou por equipas na divisão principal do futebol nacional, teve uma unidade de recuperação física em Torres Vedras, e é um dos mais conceituados técnicos na sua área.
Conversámos com Armando Pereira, uma pessoa bem conhecida, afável no trato, sempre disponível, que nos falou do seu percurso de vida e de como se tornou “torriense de coração”.

Revista Festa - O Armando passou, pelo menos, por dois clubes na divisão principal do nosso futebol?
Armando Pereira - É verdade, primeiro estive no Sporting Farense, cerca de dez anos, com aquele que foi o meu primeiro grande mestre em recuperação desportiva - Mário Belo - e depois, ao vir para Torres Vedras, estive no Torreense, que tive a sorte de acompanhar, também, na subida e na  primeira divisão.

Revista Festa - Mário Belo, recordo, que foi também massagista da seleção nacional de futebol, na altura?
Armando - Das diversas seleções nacionais, desde a seleção A à de Esperanças, ou aos Juniores. Para além disso também esteve ligado ao atletismo nacional.
Foi por isso que tive a minha primeira experência e oportunidade de colocar em prática todos os seus ensinamentos, na altura, na equipa sénior e júnior do Farense, sempre que ele se deslocava a Lisboa para as seleções, o que me abriu novos horizontes e fez ganhar uma maior experiência e vontade de saber sempre mais.

Revista Festa - Mas, o Armando não é de Faro?!
Armando - É verdade, nem sou de Torres Vedras nem de Faro, embora sejam duas cidades que já adotei como minhas.
Nasci numa freguesia da Guarda, no concelho de Almeida, chamada Parada do Coa.
Ainda por lá tenho as minhas coisas, as minhas raízes, mas, Parada foi uma daquelas terras que sofreu a desertificação cms os seus habitantes a sair em busca de uma vida melhor, quase sempre para Lisboa ou para o litoral. Acabou extinta como freguesia e restam por lá cerca de cem habitantes atualmente.

Revista Festa - Mas foi por lá que o Armando cresceu?
Armando - Até aos dezanove/vinte anos estive sempre na minha terra, na minha aldeia e em Almeida.
Os meus pais não tinham posses para me “por a estudar” e só depois de fazer a tropa é que comecei a trabalhar de dia e a estudar à noite. Primeiro fiz o liceu e depois o curso de enfermagem, mas já como adulto.
A enfermagem surge porque, já na tropa, tinha tirado o curso militar, havia um médico que gostava da minha forma de trabalhar e, quando saí, convidou-me para ir trabalhar com ele, tendo começado logo no Hospital de Faro.

Revista Festa - Quer isso dizer que o curso de enfermagem foi tirado em Faro?
Armando -Em Faro terminei o liceu, depois, vim numa comissão de serviço para Lisboa e foi aí que fiz o curso.

Revista Festa - Entretanto dá-se a mudança para o Hospital de Torres Vedras?
Armando - Vim para cá em 1983, mesmo na altura das grandes cheias que assolaram esta região.
Ainda me lembro, nessa altura, que entre muitas outras catástrofes, havia uma ponte que tinha caído na estrada para Lisboa, tinhamos que dar uma volta enorme por Vila Franca do Rosário, e recordo-me de ficar a achar que para se chegar a Torres Vedras era muito difícil... que se demorava muito tempo. Mas, felizmente, tudo foi rapidamente resolvido e afinal não era tão difícil assim...

Revista Festa - Tanto que ficou por cá?
Armando - Sim, claro. Já era essa a intenção e estive no Hospital até 1992, altura em que o Torreense sobe à primeira divisão. Já estava também no clube, e tive que “meter uma licença sem vencimento”, pois não era possível coordenar as duas coisas.

Revista Festa - Pelo meio dá-se a criação da unidade de recuperação do Armando, o Centro de Recuperação Desportiva de Torres?
Armando - Sim, isso veio na sequência de ter tirado a tal “licença se vencimento”. O Torreense acaba por descer de divisão, já não era necessário lá a tempo inteiro e tinha que optar por voltar ao Hospital ou fazer alguma coisa diferente.
Como as pessoas sempre me acarinharam e sempre reconheceram o meu trabalho, por aqui, decidi arriscar e abrir um centro onde fosse possível colocar os meus conhecimentos ao serviço de todos.
Revista Festa - Neste momento o coração já é torriense?
Armando - Torriense e Torreense...
Costumo dizer que fui adotado pelas pessoas daqui, que sempre me dispensaram um carinho imenso, sempre reconheceram o meu trabalho, e sinto que tenho uma enorme divida de gratidão para com as pessoas de Torres Vedras.

Revista Festa - Entretanto fecha o Centro?
Armando - É verdade, foram cerca de vinte e dois anos de muito trabalho e muito prazer também, pois gosto daquilo que faço, mas chegou a uma altura em que, por desacordo entre sócios, foi a melhor opção que se encontrou.

Revista Festa - Mas o Armando continua a colocar os seus conhecimentos ao serviço das pessoas daqui, de Torres Vedras?
Armando - Sim, sim. Embora me tenha reformado, sinto-me com forças para continuar a oferecer tudo aquilo que aprendi ao logo da vida a estas pessoas que tão bem me têm acolhido.
Quando encerrámos o Centro, dirigi-me ao Torreense e questionei se me cederiam um espaço onde fosse possível continuar a fazer fisioterapia e massagem à população e ao próprio clube. A ideia foi bem acolhida e, hoje em dia, quem “necessitar do Armando” pode dirigir-se aí e será com enorme prazer que me coloco à disposição de atletas e de todos, em geral.

Login to post comments

 

revista generalista

Torres Vedras

região Oeste e norte de Lisboa