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Sílvia Abreu & Henrique Leitão - “Guitarradas com Histórias” uma união perfeita entre a guitarra e as palavras

Sílvia Abreu & Henrique Leitão - “Guitarradas com Histórias” uma união perfeita entre a guitarra e as palavras

Silvia Abreu e Henrique Leitão produziram um interessantíssimo trabalho onde a música e as palavras se entrelaçam numa harmonia perfeita.
“Guitarradas com Histórias” é um disco em que a guitarra portuguesa, tocada por Henrique Leitão, dá brilho às palavras sentidas de Sílvia Abreu.
Conversámos com ambos e quisemos saber como nasce um trabalho assim, tão rico e profundo.


Festa – Primeiro, quero saber que tem feito a Sílvia Abreu nestes últimos tempos. Uma vida muito ocupada?
Sílvia Abreu - Sim, tenho uma vida mesmo muito preenchida. A Sílvia não consegue fazer uma coisa só, tenho que estar envolvida em vários projetos em simultâneo, porque é isso que me motiva.
Atualmente, para além deste trabalho, estou no Grémio, onde faço um pouco de tudo, e na Associação Estufa, depois de ter trabalhado mais de uma década na Creche do Povo, em Torres Vedras.

Festa – O Henrique Leitão, muito ligado ao fado, a sua grande paixão?
Henrique Leitão - Certamente que sim. O meu pai cantou cinquenta anos e quando nasci já ele cantava há muitos anos, por isso toda a vida ouvi fado em casa e não é de estranhar a emoção que sempre despertou em mim.
Toco guitarra desde os catorze anos e canto fado quase desde essa altura também.

Festa – Estamos a falar de paixões. Uma das grandes paixões da Sílvia é a rádio, certo?
Sílvia Abreu - Comecei muito nova a fazer rádio, aos catorze anos, na RCL, da Lourinhã, depois de uma professora nos ter lançado o desafio para fazer um trabalho sobre os meios de comunicação e escolhi logo a rádio, porque era o que me fascinava e fazia companhia.
Os meus tios moravam na Lourinhã e lá fui fazer uma entrevista para o meu trabalho, só que acabei por ser eu a entrevistada, pelo António Ventura, na altura, que me convidou para colaborar no programa das tardes de sábado, o que me deslumbrou, claro.
Uns tempos depois, passei para a Radioeste, aqui em Torres Vedras, até ir para Portalegre tirar o meu curso, altura em que deixou de ser possível continuar, em especial quando comecei também a trabalhar na Creche. Mas sim, é uma paixão de sempre.

Festa – No meio de toda esta azáfama em que a Sílvia sempre se envolve, como foi que o Henrique a convenceu a participar e a colocar este trabalho cá fora?
Henrique Leitão - É verdade, isto não faz mesmo o jeito da Sílvia, porque com esta azáfama toda ela continua a ter um verdadeiro pânico em aparecer...
Faço parte do grupo Formas de Fado há cerca de sete anos, pouco depois do falecimento do João Chitas. Ensaiamos no Grémio e conheço a Sílvia desde essa altura.
Entretanto, há uma homenagem à Leonor Madeira e ao jantar chega-me aos ouvidos que ela tinha uma data de coisas escritas, poemas e não só, naquelas caixas que se guardam em casa.
Pedi para me enviar para o email uma ou duas coisas que tivesse escrito e, a muito custo, lá acabou por enviar.

Festa – O Henrique conseguiu mesmo convencê-la a mostrar o que tinha escrito?
Henrique Leitão - É verdade, a muito custo mas lá mandou.
Quando começo a ler o primeiro texto, olho para aquilo e penso: mas este rapariga... ‘ah mãe’. Li o segundo e penso: mas porque que tem ela isto guardado numa caixa?!
Tinha, nessa altura o meu disco de guitarradas em preparação,  mas achei que o podia gravar depois, pois o que recebi era tão bom que as pessoas tinham que ficar a conhecer o que ela escreve, tinha que se encontrar forma de editar o trabalho.
Entretanto conheço o Luís Henriques, que tem um estúdio aqui perto - Lagar da Música - que grava as Formas de Fado, conversamos, e ele acha a ideia otima. Dizemos à Sílvia, mas ela nunca percebeu que o trabalho estava a andar... só tomou consciência disso quando já estavamos a gravar.
Eu próprio, que já conheço os temas de trás para a frente, de vez em quando continuo a emocionar-me com algumas coisas que a Sílvia escreve...

Festa – A Sílvia, como se sente no meio de tudo isto?
Sílvia Abreu - É verdade que não sei lidar muito bem com este tipo de coisas.
No dia da apresentação fiz um convite a quem fez o favor de estar lá connosco. Acho que este CD deve ser saboreado de três formas: Primeiro devíamos ouvir só os textos, depois só as guitarradas e só no fim o conjunto das duas coisas. Porque os textos dizem muito, sim, mas os silêncios dizem mais ainda. Mas, as guitarradas são uma coisa... fiquei apaixonadissima pelas guitarradas e a grande preocupação era se as minhas palavras estariam à altura das guitarradas, porque elas são lindíssimas, muito bem pensadas e maravilhosamente bem tocadas.

Festa – Henrique... dito desta forma!...
Henrique Leitão - Bem, agora é que o “Globo de Ouro” vai para... sem dúvida para a Sílvia.


Festa – Tiveram alguns convidados especiais...
Sílvia Abreu - Sim, foi fantástico poder contar com a Leonor Madeira, Susana Félix, Hugo Rendas ou a minha própria sobrinha, a Matilde, pois foram uma enorme mais valia e deu-me um prazer imenso.

Festa – Agora que o trabalho está cá fora, com o Henrique a ter guitarradas e cantorias quase todos o dias, há um espaço para se promover e apresentar o “Guitarradas com Histórias” como espetáculo?
Henrique Leitão - Claro que sim. Tem que haver, como é evidente. O trabalho é muito bom.
O “Guitarradas com Histórias” tem o espaço que terá que ter, assim nós o entendamos e quem o escuta o entenda também.
Sílvia Abreu - Conseguimos levá-lo a salas de espetáculo, mas podemos enquadrá-lo em escolas, bibliotecas ou espaços semelhantes... é um projeto muito versátil, nesse aspeto...

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