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Nuno Bastos & Rodrigo Miranda em entrevista sobre a "noite" em Torres Vedras

Nuno Bastos & Rodrigo Miranda em entrevista sobre a "noite" em Torres Vedras

A noite torriense tem evoluído, umas vezes positivamente outras nem tanto, mas uma coisa é certa, a oferta aumentou, diversificou e está muito interessante, neste momento, para todos os amantes deste tipo de entretenimento.
Estivemos “à conversa” com dois empresários do ramo, com estabelecimentos em Santa Cruz e Torres Vedras, Rodrigo Miranda  e Nuno Bastos, sobre a sua visão da noite torriense.



Ambas as casas comemoraram o seu aniversário há pouco tempo, tendo o Radio Station feito “quatro anos em Outubro, como habitualmente fora do normal, invertemos a tendência, abrimos um bar na zona balnear no final de Outubro e estivemos todo o mês com eventos de aniversário” referiu Rodrigo. “música ao vivo, DJs torrienses e um jantar para os clientes mais assíduos foram alguns dos pontos altos do aniversário”.
Também o Elegance, de Nuno Bastos, esteve em aniversário “conta com treze anos a trabalhar praticamente todos os dias e tem sido um desafio muito interessante a tentar inovar e marcar pela diferença, acompanhando as novas tendências” refere o empresário, e “no aniversário juntámo-nos todos, para tentar fazer uma noite diferente, mesmo sendo a noite do furacão Leslie, e não podendo começar no exterior criámos no interior um tema ‘anos 80/90’, transversal à maioria das faixas etárias nossas clientes.
Penso que foi a festa de aniversário mais gira e alegre das que fizemos nos nossos aniversários”.
Para além dos aniversários, os clientes de ambos os espaços são também eles diferentes, ou não se situasse um na zona balnear e o outro dentro da cidade.
Talvez por isso as apostas são também elas diversas, com a casa de Santa Cruz, que fica no Páteo da Azenha a “marcar a diferença pela nossa energia e forma de estar. Cheguei a ser gerente da discoteca Living, em 2014, e vou percebendo que as pessoas querem, cada vez mais, estar na rua e viver a rua. O Páteo da Azenha mostrou ser o local ideal para abrir o nosso bar e felizmente que temos contado com a ajuda dos outros colegas de Páteo para conseguir oferecer uma dinâmica muito especial a todos os espaços, com eventos regulares, diários de verão, que se adequam a quem ali pretende passar um ‘bocado’ bem descontraído”.
Já na cidade, o Elegance não tem a esplanada, e a rua, como local preferencial para receber clientes, como refere Nuno Bastos “a esplanada é mais usada de verão, só a utilizamos até outubro. Mas o Elegance também não foi um espaço pensado para a rua, foi pensado para ser um espaço interior acolhedor, onde as pessoas se podem sentir bem a qualquer hora, seja de manhã, à tarde ou à noite, a qualquer dia da semana.
Por estar dentro da cidade, a nossa casa também tem que tentar minimizar tudo o que possa ser desconfortável para os vizinhos, muito em especial o barulho à noite.
Felizmente tem corrido bem e na abordagem que fazemos regularmente a quem ali reside, é isso mesmo que nos é transmitido”.
O ruído e a falta de civismo de uma minoria dos frequentadores dos espaços de entretenimento, que nada têm a ver com os estabelecimentos, levaram, ainda assim, o município a mudar as regras ‘do jogo’, com alteração aos horários existentes, completamente livres atualmente, para outros mais restritivos, que foram já aprovados em Assembleia Municipal e passam a estar em vigor a partir de janeiro.
Ao início a mudança nos horários assustou um pouco os empresários deste tipo de estabelecimentos, mas, aos poucos, as opiniões vão sendo mais moderadas.
“Nós, bares e discotecas, reunimos algumas vezes e vamos falando sobre a noite: o que se pode, deve e não deve fazer.
Quando abri o Elegance, há treze anos, o horário de fecho dos bares era às duas da manhã e, no meu caso específico, aprendi a trabalhar com esse horário. Há pouco tempo, com a liberalização de horários, cada um acabou a trabalhar por si, e a fazer as suas escolhas, sendo criados alguns pontos de atrito entre os cafés, restaurantes, bares e mesmo discotecas.  Na minha opinião, desde a liberalização, sempre achei que não iria correr bem...” refere Nuno Bastos.
Já para Rodrigo Miranda “quer eu, quer a própria ACIRO, temos uma visão muito própria deste tipo de negócios.
Pessoalmente já trabalho e frequento a noite há cerca de vinte anos, quer em Torres ou Santa Cruz, e, conhecendo a noite, não concordo plenamente que fosse as cinco da manhã a hora para fecho das discotecas, por uma questão de economia e rentabilidade destes espaços.
Neste sector tem que existir um ciclo que deve ser respeitado, com os cafés e restaurantes a fechar às dez/meia noite, os bares às três ou quatro e as discotecas a encerrar pelas seis/sete da manhã.
Sinto que se precisa de mais tempo para trabalhar, mas também tenho a convicção de que eu, e os meus colegas, temos que preparar as pessoas para começar ‘a noite’ mais cedo. Faz todo o sentido”.
O futuro o dirá, mas uma coisa é certa, a partir de janeiro as novas regras estão aí!...

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Torres Vedras

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