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Violência doméstica é o tema em destaque na rubrica "psicologia" nesta edição da revista Festa

Violência doméstica é o tema em destaque na rubrica "psicologia" nesta edição da revista Festa Featured

Neste início de ano fomos confrontados com notícias e estatísticas assustadoras sobre violência doméstica e, consequentemente, mais de uma dezena de mortes associadas. Tem sido um tema pensado e debatido, que nos faz pensar sobre as circunstâncias que causam e permitem que situações tão graves continuem a acontecer num século em que nos consideramos tão evoluídos, onde cada vez mais há acesso a informação e, seria de esperar, acesso a mais e melhores meios de prevenção e protecção das pessoas em relações abusivas.

A responsabilidade em todos nós:
Alguns aspectos para reflexão

 “Entre marido e mulher não se mete a colher”.
Se pensarmos nas características de uma relação amorosa há 20 anos atrás (tão pouco tempo e tanto tempo que passou!), lembramos certamente uma diferenças nos papeis do homem e da mulher para o que é uma relação actual. O homem providenciava o rendimento da casa, enquanto a mulher tratava da parte doméstica (“a tempo e horas”), sendo mais expectável que uma palmada emergisse de uma zanga, comparativamente ao que é aceitável agora (queremos nós acreditar!). Embora exista uma diferença marcada nos papeis relacionais (a mulher trabalha, o homem faz tarefas domésticas, etc), a nossa história é parte importante do nosso presente e existe ainda uma mentalidade em que as questões relacionais se resolvem entre os dois elementos da relação.
“Foi só uma palmada”.
A violência física e psicológica é inadmissível numa relação. Qualquer que tenha sido o motivo que gerou uma acção agressiva, é importante perceber que não é aceitável, quer para o homem quer para a mulher, que se utilize violência de qualquer tipo ou forma. Quem promete que após a primeira vez, não acontece uma segunda? Uma décima? Quem promete que não escala para uma situação mais grave que a da primeira vez? Muitas vezes o agressor promete. Mas tanto é relevante perceber o perfil da pessoa que agride, como se torna essencial entender o perfil da vítima. Frequentemente a vítima de violência doméstica vive com um padrão relacional que, se não resolvido, se irá repetir numa relação posterior. A pessoa, muitas vezes vulnerável, com baixa auto-estima, procura num parceiro certas características que, não se apercebendo, estão presentes em grande parte dos indivíduos que vem a tornar-se agressores.
“Um homem não chora”. Se pensarmos na forma como educamos as nossas crianças, podemos ver um padrão distinto na maneira como tratamos as meninas e os meninos. Sim, é bem falado que continuamos a dizer “um rapagão forte” para um menino acabado de nascer e “uma princesa tão linda” para uma menina bebé.
Mas que repercussões pode a forma como lidamos com as crianças influenciar a probabilidade de existir violência doméstica no casal?
Desde pequenos que os rapazes não são incentivados a elaborar as suas emoções. Porquê?
Se o seu filho bater noutro menino na escola porque se chatearam, embora lhe possa ralhar em casa, é uma situação relativamente expectável. Um rapaz dar um pontapé noutro porque houve uma zanga é mais aceite do que o mesmo começar a chorar e queixar-se do que aconteceu. Um menino está frustrado, cansado, insatisfeito e chora, rapidamente se ouvem comentários como “um menino grande não chora” ou “que feio, um rapaz a chorar”. Ora, estamos a criar homens que consegue elaborar as suas emoções? Não é expectável que chorem, que desabafem, que se queixem. Não aprendem a lidar com a frustração, com o cansaço, com a tristeza de forma madura. Desde crianças que o comportamento agressivo é mais aceitável. Nas meninas, por sua vez, consideramos que seja o mais adequado chorarem e falarem quando não conseguem lidar bem com uma situação.
Estamos a desresponsabilizar o homem que agride? Não. A nossa cultura não faz com que todos os homens se tornem agressores, a responsabilidade na pessoa adulta é da pessoa adulta. Mas talvez seja importante conscienciali-zarmo-nos dos padrões que mantemos por forma a conseguirmos alterar e melhorar a mentalidade da nossa cultura.
Embora tenhamos falado na figura masculina como agressor, pela maioria de casos que são expostos e denunciados, existe e é necessário reconhecer que várias vezes a agressão também parte das mulheres. Embora com menor número de denúncias, existem homens vítimas de violência doméstica que, pela mentalidade cultural que existe, se sentem censurados e envergonhados em pedir ajuda.

Precisa de ajuda?
Um psicólogo pode ajudar.

Read 857 times Last modified on sexta-feira, 22 março 2019 12:56
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