Paradoxo,  ou talvez não. O ministro Mário Centeno obedecerá às exigências do Presidente do Eurogrupo, dele próprio...

Paradoxo, ou talvez não. O ministro Mário Centeno obedecerá às exigências do Presidente do Eurogrupo, dele próprio...

A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo foi uma boa notícia ou uma notícia tornada feliz, numa espécie de bota de ouro para as finanças portuguesas.

O Primeiro-Ministro e os socialistas em geral regozijaram-se.

De repente o céu cinzento tornou-se azul: Nada melhor para anestesiar a sociedade mais descuidada de modo a fazer-nos esquecer um Verão e Outono demasiado quentes em casos desastrosos e secos em justificações plausíveis. Por momentos, a maioria de nós parece esquecer os incêndios dramáticos de Julho e Outubro, a censura ao relatório de Pedrogão, as contradições do furto de material militar em Tancos, a inabilidade no anúncio da mudança do Infarmed para a cidade do Porto, a festa orquestrada do segundo aniversário da governação socialista, as milhares de denúncias da falta de qualidade das refeições escolares, de Norte a Sul do País, as viagens ao ‘Euro 2016’ com a Galp…



A escolha de Mário Centeno não significa uma legitimação da governação de António Costa. Resultou de uma conjugação de circunstâncias.
Mas há outras curiosidades que nos fazem reflectir sobre a eleição do ministro português para liderar o Eurogrupo:
Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta, durante o último congresso do PS, há ano e meio, afirmou que “o Tratado Orçamental representava mais limitações para o Governo do que os próprios partidos da ‘geringonça’”. E o texto - enquadrado numa moção de António Costa  - continha uma autocrítica por a sua família política europeia que considerava também terem sido “contaminados, em diversos momentos históricos, pelo vírus da fé excessiva na autorregulação dos mercados, não sendo capazes de resistir às tendências de financeirização do capitalismo mundial, nem de impor uma regulação suficiente do processo de globalização”;
E Mário Centeno que considerou a política central do Eurogrupo como sendo "míope"...
E impõem-se duas interrogações: Como vai o ministro das finanças português, Mário Centeno, obedecer às exigências reformistas do Presidente do Eurogrupo que é ele próprio? Como vai negociar consensos com a esquerda portuguesa adversa à moeda única, enquanto apoiantes do seu próprio governo?
É claro que o Ministro das Finanças português encontra uma oportunidade para prolongar o estado de graça de uma governação que os mais cépticos, como Francisco Louçã, fundador do Bloco de Esquerda, considera já poder estar a “contribuir para a aproximação de um novo colapso financeiro”.  Também Nuno Melo, euro-deputado do CDS-PP, observa que “a ascensão ao poder dos socialistas obedece invariavelmente a um padrão que, paradoxalmente, aproveita ao prevaricador orçamental. Vencem prometendo o que não podem cumprir, governam gastando o que o país não tem como pagar e mais tarde, na Oposição, criticam quem seja onerado com as faturas pelas medidas necessariamente impopulares a que eles, socialistas, deram causa, argumentando cinicamente que são escolhas dos outros, como se não tivessem tido nada que ver com o assunto e algum político no seu bom juízo quisesse penalizar quem vota”.
É evidente que Centeno candidata-se a um tempo de reputação pessoal, se acaso for capaz de fortalecer e dar primazia à intervenção dos países da moeda única, num contexto mais global. E internamente - no Eurogrupo, entenda-se - conseguir consenso entre todos os membros para a aceitação de um orçamento europeu global, a acontecer todos os anos, a partir de 2025 como exigem os alemães.
Por outro lado, vaticina-se o afastamento de Mário Centeno das opções de António Costa, que acabam por ser demasiado despesistas, independentemente das pressões a que o governo está exposto, tão-só para garantir o apoio dos partidos à esquerda para sobreviver.
Centeno foi contido após a sua eleição no Eurogrupo. E tem consciência de que os resultados satisfatórios das metas orçamentais, em Portugal, resultaram no esmagamento do investimento público, cortando na despesa conjuntural, mas não de modo estrutural. Por isso, reduziu o défice nominalmente e não estruturalmente. Aplicou mais taxas e impostos indirectos. Por enquanto mantém o país com encargos excessivos.
O Ministro das Finanças sabe que o Partido Socialista se encontra refém de todas as reivindicações - muitas delas justas - dos professores, dos juízes, dos polícias, dos militares, dos enfermeiros, dos médicos… Mas não sabe explicar como vai pagá-las. Só por causa dos docentes, o governo assumiu mais de 600 milhões de euros de despesa. E faz todo o sentido o recente aviso do Presidente da República: “É uma ilusão achar que podemos voltar ao ponto antes da crise".


Professor catedrático
Mário Centeno licenciou-se em Economia, em 1990, e tornou-se mestre em Matemática Aplicada três anos mais tarde, pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa. Entre 1995 e 2000 concluiu mestrado e doutoramento em Economia pela Harvard Business School da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Foi economista no Banco de Portugal, a partir do ano 2000, e entre 2004 e 2013 acumulou funções de diretor-adjunto do Departamento de Estudos Económicos e foi membro do Comité de Política Económica da União Europeia. É também professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa.
Mário José Gomes de Freitas Centeno tem 51 anos - nasceu na cidade de Olhão, a 9 de Dezembro de 1966 - é Ministro das Finanças de Portugal desde 26 de Novembro de 2015 e foi eleito presidente do Eurogrupo, no passado dia 4 de Dezembro de 2017, iniciando a função no próximo dia 13 de Janeiro de 2018.

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